Publicado por: Marcelo José de Sá Diretor-Presidente e Editor-Geral do Site do Jornal Espaço
Reação pela morte de megatraficante do cartel de Jalisco teve mortes, bloqueios de estradas, fechamento de escolas e cancelamento de voos em vários pontos do país
A morte do narcotraficante Nemesio Rubén Oseguera, conhecido como El Mecho, no domingo, 22, provocou uma onda de violência e caos em diversas cidades do México, com bloqueios de estradas, fechamento de escolas e cancelamento de voos.
Segundo informado por Omar Garcia Harfuch, secretário de segurança do México, nesta segunda-feira, 23, ao menos 25 membros da Guarda Nacional foram mortos pelo Cartel de Jalisco Nova Geração durante a ação. Harfuch acrescentou que um guarda prisional, um membro do escritório do promotor do estado e ao menos 30 membros da organização criminosa também morreram.
Apontado como fundador e líder do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), El Mencho era um dos narcotraficantes mais procurados pelo México e pelos Estados Unidos. A Administração de Controle de Drogas dos EUA (DEA, na sigla em inglês) incluiu o mexicano em sua lista de mais procurados em 2020 e oferecia recompensa de até US$ 15 milhões por informações que levassem à sua prisão.
Em janeiro, o jornal The New York Times revelou que o presidente dos EUA, Donald Trump, pressionava o México para que forças americanas entrassem no território mexicano para realizar operações conjuntas contra cartéis.
O CJNG é um dos maiores grupos criminosos do México, ligado ao tráfico internacional de drogas – especialmente fentanil, metanfetamina e cocaína para os EUA. No domingo, 22, o Exército do México realizou uma ação contra o cartel na cidade de Tapalpa, a cerca 130 quilômetros de Guadalajara, capital do Estado de Jalisco.
Além de El Mencho, pelo menos outros seis criminosos morreram, e três militares ficaram feridos durante a troca de tiros, segundo a corporação. Dois integrantes do CJNG foram presos, e diversas armas foram apreendidas – incluindo um lançador capaz de derrubar aeronaves e destruir veículos blindados. Com a operação, o governo mexicano espera aliviar a pressão vinda dos EUA.
Impacto na rotina dos cidadãos
Comércios também foram incendiados em Jalisco. Segundo o governo do Estado, 81 lojas de conveniência da rede Oxxo foram saqueadas ou danificadas em pelo menos cinco cidades. A gestão estadual recomendou que os cidadãos evitassem sair de casa e suspendeu o transporte público durante todo o domingo. O serviço foi retomado de forma gradual nesta segunda-feira, 23.
As aulas foram suspensas nesta segunda-feira em instituições de ensino fundamental, médio e superior, públicas e privadas, em Jalisco. Pelo menos outros sete Estados também suspenderam as aulas em meio à onda de violência.
O Grupo Aeroportuário do Pacífico (GAP) informou que todas as operações internacionais e a maioria das operações domésticas no Aeroporto Internacional de Puerto Vallarta foram canceladas no domingo por decisão das companhias aéreas. Segundo a operadora, o Aeroporto Internacional de Guadalajara não registrou cancelamentos ou interrupções em suas operações.
O GAP ainda não emitiu atualizações sobre a situações dos aeroportos nesta segunda-feira, mas o site de monitoramento de voos Flight Radar mostrou que dezenas de viagens foram canceladas.
A violência também impactou o Campeonato Mexicano, que precisou adiar quatro partidas marcadas para domingo. Uma delas ocorreria no estádio La Corregidora, na cidade de Querétaro, onde a seleção do México tem um amistoso contra a Islândia na quarta-feira, 25. O jogo faz parte da preparação para a Copa do Mundo de 2026, que será realizada no México, EUA e Canadá – com quatro partidas previstas para ocorrer em Guadalajara. (Com agências internacionais).
Quem era El Mencho
Oseguera Cervantes, mais conhecido como El Mencho, tinha 59 anos e era o líder de um grupo criminoso em rápido crescimento, o Cartel Jalisco Nueva Generación. Ele era o narcotraficante mais procurado pelos Estados Unidos, que ofereciam uma recompensa de 15 milhões de dólares por sua captura.
Oseguera Cervantes era visto como o último dos chefões do narcotráfico que agiam no estilo ostentatório brutal de Joaquin “El Chapo” Guzman e Ismael “El Mayo” Zambada, ambos presos.
Oseguera Cervantes nasceu em Aguililla, uma cidade no estado mexicano de Michoacán, no oeste do país e a porta de entrada para uma região montanhosa e inóspita onde plantações ilegais de maconha prosperavam em sua infância.
Seus laços com o crime organizado remontavam a pelo menos três décadas. Quando jovem, emigrou para os Estados Unidos. Em 1994, ele foi julgado por tráfico de heroína nos EUA e condenado a três anos de prisão.
Ao retornar ao México, juntou-se ao Cártel del Milenio. Mais tarde, conflitos internos o forçaram a sair de Michoacán, quando uma facção se aliou a Los Zetas, um grupo fundado por ex-soldados de elite que impunham o terror em toda a região.
Oseguera refugiou-se no estado vizinho de Jalisco. Em 2009, com o cartel de Sinaloa, ele formou os Matazetas, que ganharam notoriedade dois anos depois com o assassinato de dezenas de pessoas ligadas ao grupo.
Por volta de 2009, Oseguera fundou o Cartel Jalisco Nueva Generación, que, com a extradição de Guzmán e Zambada para os Estados Unidos, tornou-se a organização criminosa de crescimento mais rápido do México, levando cocaína, metanfetamina, fentanil e migrantes para os Estados Unidos e inovando na violência com o uso de drones e dispositivos explosivos improvisados.
O cartel ganhou reputação por ataques ousados contra as forças de segurança mexicanas, incluindo a derrubada de um helicóptero militar em Jalisco em 2015 e uma tentativa espetacular, porém malsucedida, de assassinato do chefe de polícia da Cidade do México, Omar García Harfuch, que hoje é o secretário de segurança federal do México.
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