
Anexo do prédio do TCE é alvo de investigação da Polícia Federal — Foto: Divulgação
Mandados de busca estão sendo cumpridos em Palmas e Goiânia (GO). Um dos alvos é o corregedor e ex-presidente do Tribunal de contas, além de servidores e construtoras
A Polícia Federal deflagrou nas primeiras horas da manhã desta quarta-feira (03), a Operação “Esopo 267”, visando desarticular organização criminosa suspeita de fraudar processos licitatórios e a execução de contratos relacionados a construção do prédio anexo do Tribunal de Contas do Estado do Tocantins.
De acordo com a PF, aproximadamente 70 policiais federais cumprem 13 mandados de busca e apreensão, todos expedidos pelo Ministro Og Fernandes do Superior Tribunal de Justiça, além de outras medidas de interesse da investigação, nas cidades de Palmas e Goiânia.
Participam da operação a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e a Controladoria-Geral da União. A investigação encontrou indícios de fraude à licitação e de desvios na execução dos contratos. Também há suspeita dos crimes de corrupção ativa e passiva, lavagem de ativos, evasão de divisas, além da constituição de organização criminosa por servidores públicos e empresários do ramo da construção civil.
Além da obtenção de novas provas, busca-se interromper a continuidade das ações criminosas, identificar e recuperar ativos frutos dos desvios, além de resguardar a aplicação da lei penal.
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Os contratos investigados somam mais de R$ 25 milhões. A partir das movimentações financeiras suspeitas, laudos periciais e informações de campo, estima-se um prejuízo aos cofres púbicos da União superior a R$ 4 milhões.
O prédio anexo do Tribunal de Contas do Estado – TCE/TO foi entregue em 2013 e a obra contou com verbas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). As irregularidades teriam ocorrido durante a presidência do conselheiro Severiano Costandrade no órgão. A Agência Tocantins solicitou posicionamento do TCE e aguarda resposta.
A operação Esopo 267 faz referência a uma das versões da fábula do Lobo em pele de cordeiro, em virtude de que os ilícitos investigados estariam associados ao próprio órgão responsável por evitá-los.
A Polícia Federal ressalta que, em razão da situação de pandemia da COVID-19, foi adotada uma logística especial de prevenção ao contágio, com distribuição de EPIs a todos os envolvidos na missão, além do estabelecimento de rotinas de desinfecção e para redução da exposição, a fim de preservar a saúde dos policiais, testemunhas, investigados e seus familiares.
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Duas empreiteiras estão sendo investigadas: a CM Construtora e a Real Construtora e Incorporadora (Recep). A reportagem da Agência Tocantins ainda tenta contato com as empresas, porém, até a publicação desta reportagem, nossa equipe não havia conseguido falar com os citados.
A Agência Tocantins deixa o espaço aberto para todos os citados na reportagem pra que os mesmos possam se manifestar posteriormente sobre a investigação da Polícia Federal.


