quarta-feira - 25 - março - 2026

Polícia / Estados / Rio de Janeiro / Denúncia / Agressão por Professor a Autista: Mãe denuncia agressão a filho autista por professor em escola inclusiva de Cabo Frio: ‘colocaram ele no ônibus machucado’

Publicado por: Marcelo José de Sá Diretor-Presidente e Editor-Geral do Site do Jornal Espaço

 

Jovem está internado no Hospital Roberto Chabo, em Araruama, com fratura no colo do fêmur e aguarda cirurgia marcada para esta terça-feira (17).

Jovem diagnostica com autismo de nivél três de suporte no Hospital em Araruama — Foto: Arquivo Pessoal

Jovem diagnostica com autismo de nivél três de suporte no Hospital em Araruama. Foto: Arquivo Pessoal

 

A mãe de um jovem diagnosticado com autismo, nível de suporte 3, e transtorno do desenvolvimento denuncia que o filho foi agredido por um professor na Escola Municipal Renato Azevedo, instituição inclusiva de Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio. O estudante, Davi Elias Júnior, de 21 anos, está internado no Hospital Roberto Chabo, em Araruama, com fratura no colo do fêmur, e aguarda uma cirurgia marcada para esta terça-feira (17).

Segundo o relato da responsável ao g1, Cristina da Conceição Costa, o caso aconteceu na última quarta-feira (11), durante o período de aula. O jovem teria se machucado dentro da unidade, mas a família só tomou conhecimento da situação ao buscá-lo no transporte escolar.

“Eles foram omissos. Não me ligaram, não chamaram o bombeiro e ainda colocaram ele no ônibus machucado”, afirmou.

“Quando eu fui pegar o Davi no ônibus, me disseram que ele tinha caído e não estava conseguindo andar. Eu tive que tirar meu filho no colo. Ele estava gemendo de dor”, relatou.

De acordo com a mãe, mesmo diante do quadro, o estudante foi colocado no ônibus e enviado para casa sem que a família fosse comunicada ou que socorro fosse acionado.

A responsável também questiona a versão inicialmente registrada pela escola, através da agenda do rapaz, na agenda do aluno, que indicava que ele teria “resistido a levantar, se desequilibrado e caído”.

Após buscar esclarecimentos, ela afirma que a dinâmica apresentada não corresponde ao que foi posteriormente relatado por auxiliares.

“Primeiro falaram que ele se desequilibrou. Depois, quando a direção conversou com os auxiliares, todos disseram que ele foi empurrado. Não foi uma simples queda”, contou.

Conforme o relato, o jovem estava deitado em um tatame após a aula de educação física, quando foi chamado para ir embora. Ao resistir a se levantar, teria ocorrido o episódio que resultou na queda. A mãe afirma ainda que, mesmo após o ocorrido, o estudante foi obrigado a caminhar.

“Fizeram ele andar da quadra até o portão. Só depois perceberam que ele não conseguia colocar o pé no chão”, contou.

Ao chegar em casa, o jovem apresentava dificuldades para se movimentar e sinais intensos de dor. Ele foi levado inicialmente para atendimento de emergência em São Pedro da Aldeia, cidade onde mora. Após exames, foi identificada uma lesão, e uma tomografia confirmou a fratura no colo do fêmur.

O estudante foi então encaminhado para internação em Araruama.

A mãe relata ainda dificuldades durante o atendimento hospitalar. Segundo ela, o filho permaneceu por dias sem acesso a leito.

“Fiquei três dias com ele na sala de medicação, sem leito. Ele é um jovem autista, precisava de cuidado, e ninguém da escola apareceu para dar suporte”, afirmou.

O g1 entrou em contato com a Prefeitura de Cabo Frio, que informou que está apurando o caso e se manifestou por meio de nota (veja abaixo a nota na íntegra).

Nota da Secretaria Municipal de Educação

A Secretaria Municipal de Educação informa que, assim que tomou conhecimento do caso envolvendo o aluno, mobilizou sua equipe técnica e estabeleceu contato com a direção da unidade escolar para o levantamento das informações iniciais.

Diante dos fatos relatados à gestão, foram imediatamente adotadas as providências cabíveis, incluindo a instauração de processo administrativo para apuração detalhada das circunstâncias e o afastamento do servidor de suas funções, bem como sua convocação para prestar esclarecimentos. Paralelamente, foi realizado registro de ocorrência junto à autoridade policial competente, a fim de garantir a devida investigação no âmbito legal.

A Secretaria lamenta os fatos relatados e se solidariza com a família, reforçando que seguirá acompanhando o caso com rigor, colaborando integralmente com as autoridades competentes.

A gestão repudia qualquer forma de violência no ambiente escolar e reafirma seu compromisso com a segurança e o bem-estar dos alunos da rede municipal.

Registro de Ocorrência

Após a repercussão do ocorrido, de acordo com a mãe, a Secretaria Municipal de Educação registrou um boletim de ocorrência sobre o episódio, que passou a ser investigado pela Polícia Civil como lesão corporal culposa.

De acordo com o registro, o fato teria ocorrido no momento da saída dos alunos, quando o jovem foi conduzido ao ônibus escolar, ocasião em que teria sido empurrado, caído e se lesionado.

O caso teria sido presenciado por auxiliares de classe e comunicado posteriormente à direção da unidade.

A mãe, no entanto, afirma que não concorda com a forma como o registro foi feito, já que, segundo ela, a ocorrência foi formalizada sem a presença da família.

“Meu marido foi lá depois, mas não assinou nada. Quem tem que fazer o boletim somos nós. Eles fizeram sem a nossa presença”, disse.

A responsável informou ainda que pretende registrar um novo boletim de ocorrência após a realização da cirurgia, com base no laudo médico completo, e reforça que também considera que houve omissão por parte da instituição.

“Agora eu preciso cuidar do meu filho. Depois vamos correr atrás dos direitos dele”, declarou.

O caso segue sob investigação da Polícia Civil, e medidas administrativas internas foram iniciadas pela rede municipal de ensino.

 

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