Publicado por: Marcelo José de Sá Diretor-Presidente e Editor-Geral do Site do Jornal Espaço
Inquérito questiona atuação de responsáveis formais por dois supermercados e averigua possíveis irregularidades na administração dos negócios

A Polícia civil de Goiás (PCGO) investiga a situação de duas empresas do setor supermercadista relacionadas ao deputado estadual André Luiz Gomes Gontijo, conhecido como André do Premium (União Brasil). Os empreendimentos acumulam mais de R$ 24,6 milhões em débitos fiscais e são objeto de uma apuração que busca esclarecer a administração dos negócios e a eventual utilização de terceiros como responsáveis formais pelas empresas.
O caso é acompanhado pelo Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos do Estado de Goiâs (CIRA-GO) e teve origem em uma denúncia apresentada em 2024. Após análise judicial, uma decisão determinou que a investigação fosse conduzida pela Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra a Ordem Tributária (DOT), responsável por apurar possíveis irregularidades relacionadas à atividade empresarial e tributária.
As empresas citadas no procedimento são a Premium Comércio de Alimentos Ltda., registrada em Senador Canedo entre 2015 e 2022, e a Atacadão Premium Comércio de Alimentos Ltda., aberta em 2022 e registrada em Santo Antônio do Descoberto, no Entorno do Distrito Federal. Segundo os registros empresariais reunidos na apuração, Shaiane Ferreira Ferraz e Giulene Pereira da Silva aparecem como responsáveis formais pelos estabelecimentos.
Uma das linhas investigadas envolve a possibilidade de que as responsáveis registradas não fossem, de fato, as pessoas que administravam ou controlavam os negócios. A hipótese ainda precisa ser comprovada pela investigação. Para isso, deverão ser analisados documentos empresariais, movimentações financeiras, informações patrimoniais e outros elementos capazes de esclarecer a efetiva participação de cada pessoa nas atividades das empresas.
Os endereços vinculados aos estabelecimentos também fazem parte da apuração. Informações encaminhadas às autoridades apontaram possíveis inconsistências em registros empresariais, incluindo endereço que corresponderia a um terreno sem ocupação e outro relacionado a uma unidade da Saneago. Também serão verificadas informações referentes ao endereço atribuído a uma das responsáveis no Distrito Federal. A Polícia Civil deverá confrontar esses dados com documentos oficiais e demais elementos reunidos no procedimento.
A investigação tramita na Justiça comum porque, conforme a apuração, os fatos analisados estão relacionados a atividades empresariais e não diretamente ao exercício do mandato de deputado estadual. Em 8 de agosto, decisão judicial determinou que a Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra a Ordem Tributária conduzisse o procedimento. Entre as próximas medidas estão a análise documental e a oitiva de pessoas relacionadas ao caso.
Atuação política e empresarial
André do Premium é empresário do setor supermercadista e exerce mandato de deputado estadual em Goiás. Sua atuação política tem como uma das principais bases o Entorno do Distrito Federal, especialmente Santo Antônio do Descoberto, onde sua família também possui atuação política. O parlamentar é casado com a prefeita do município, Jéssica do Premium, ambos do União Brasil.
O deputado disputa a reeleição para a Assembleia Legislativa de Goiás. Em declaração apresentada à Justiça Eleitoral, informou patrimônio aproximado de R$ 2,3 milhões, composto, entre outros bens, por dois imóveis residenciais e 12 veículos. A informação é pública e consta da declaração eleitoral apresentada pelo parlamentar.
O nome de André do Premium também esteve relacionado, em 2025, a um episódio envolvendo o jornalista Ronaldo Chaves, que atua no Entorno do Distrito Federal. Na ocasião, o jornalista divulgou mensagens atribuídas ao deputado que foram interpretadas como ameaças relacionadas à publicação de reportagens. André confirmou ter enviado as mensagens, mas afirmou que não chegou a concretizar qualquer ação contra o profissional. O episódio não integra a investigação tributária atualmente conduzida pela Polícia Civil.
Investigação em andamento
Até o momento, a apuração policial não representa conclusão sobre eventual responsabilidade criminal de André do Premium ou das pessoas relacionadas às empresas. O procedimento ainda deverá reunir elementos para esclarecer quem efetivamente administrava os negócios, a origem e a situação dos débitos tributários e se houve alguma irregularidade passível de responsabilização.
A assessoria do deputado André do Premium não apresentou sua versão sobre a investigação e os demais pontos abordados.
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