Publicado por: Marcelo José de Sá Diretor-Presidente e Editor-Geral do Site do Jornal Espaço
OAB-GO disponibiliza cartilha para alertar e ajudar população a identificar modalidade de fraude

Por Augusto Araújo
Dois moradores de Anápolis foram vítimas do chamado “golpe do falso advogado” e tiveram prejuízos que, somados, chegam a R$ 15,9 mil. Os casos foram registrados na Polícia Civil (PC) nesta quarta-feira (4) e quinta-feira (5).
Em ambas as situações, os criminosos entraram em contato com as vítimas fingindo ser profissionais ligados à Justiça e alegaram que elas tinham valores de processos judiciais para receber.
No caso mais recente, uma idosa de 64 anos recebeu uma ligação de uma pessoa que se passou pelo advogado dela. O golpista afirmou que o processo judicial havia chegado ao fim e que ela tinha uma quantia a receber.
Durante a conversa, o criminoso explicou que a mulher precisaria seguir alguns procedimentos para conseguir uma suposta isenção de taxas.
Na sequência, a vítima recebeu um link pelo WhatsApp e, após acessá-lo, seguiu as orientações do golpista para entrar no aplicativo bancário e realizar algumas operações.
Acreditando na história, ela realizou uma transferência de R$ 4,5 mil via Pix para uma conta que os criminosos indicaram.
A mulher só desconfiou da fraude quando os suspeitos perguntaram se o marido dela também possuía conta bancária. Após conseguirem o dinheiro, os golpistas apagaram as mensagens que enviaram pelo WhatsApp.
Falso juiz participou de outro golpe
Já na quarta-feira (4), outro morador de Anápolis procurou a Polícia Civil após perder R$ 11,4 mil em circunstâncias semelhantes.
Conforme o registro policial, a vítima recebeu uma ligação por volta das 12h de uma pessoa que se identificou como seu advogado e afirmou que a Justiça havia liberado um pagamento retroativo de aposentadoria no valor de R$ 77 mil.
Em seguida, outro indivíduo participou da conversa por vídeo, apresentou-se como juiz e alegou que falava diretamente do fórum.
Os criminosos convenceram a vítima de que precisaria realizar transferências bancárias para somar os valores disponíveis em suas contas ao suposto benefício de R$ 77 mil. Com isso, conseguiriam calcular os impostos sobre o montante total.
O morador, então, realizou dois pagamentos via Pix: um de R$ 1,6 mil, utilizando uma conta da Caixa Econômica Federal, e outro de R$ 9,8 mil, por meio do Banco Inter.
O homem enviou as duas transferências para a mesma conta que os golpistas indicaram. Após perceber a fraude, procurou a Polícia Civil para registrar a ocorrência.
Vale destacar que, até o momento, os casos são isolados e que não há indícios de relação entre eles.
OAB-GO alerta sobre modalidades do golpe
A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO) disponibiliza uma cartilha para alertar a população sobre o golpe do falso advogado. Nessa modalidade, os criminosos utilizam informações de processos judiciais para enganar as vítimas.
Segundo a entidade, os golpistas costumam consultar processos públicos e entrar em contato com os envolvidos, utilizando nomes e fotografias de advogados verdadeiros para transmitir credibilidade.
Entre as estratégias que os criminosos utilizam estão a clonagem ou invasão de contas de WhatsApp, a criação de perfis falsos em redes sociais e o envio de documentos fraudulentos, incluindo decisões judiciais e boletos com logotipos de tribunais.
Outra modalidade envolve o envio de links fraudulentos por mensagens de texto, e-mail ou redes sociais, com o objetivo de obter informações pessoais e bancárias das vítimas.
A OAB-GO destaca que os criminosos também utilizam técnicas de manipulação psicológica, criando um senso de urgência para convencer as pessoas a realizar pagamentos imediatamente.
Como se proteger?
Para evitar prejuízos, a OAB-GO orienta que pessoas com processos judiciais em andamento mantenham contato com seus advogados exclusivamente por canais que já conhecem.
A entidade também recomenda desconfiar de solicitações inesperadas de transferências bancárias e confirmar diretamente com o profissional responsável qualquer informação sobre a liberação de valores.
Caso receba uma mensagem suspeita, a orientação é não realizar pagamentos nem fornecer dados bancários antes de verificar a autenticidade do contato.
A Polícia Civil de Goiás também recomenda consultar o andamento dos processos diretamente nos sites oficiais dos tribunais. Além disso, deve-se conferir cuidadosamente os dados dos destinatários antes de realizar transferências.
O que fazer se cair no golpe?
De acordo com a cartilha da OAB-GO, quem sofrer esse tipo de fraude deve preservar as provas. Nisso se incluindo capturas de tela das conversas, números de telefone que os criminosos utilizaram e comprovantes de transferências bancárias.
Em seguida, a vítima deve registrar um boletim de ocorrência e comunicar o advogado verdadeiro para verificar a situação do processo judicial.
A entidade também orienta que os profissionais que tiveram seus nomes utilizados pelos criminosos registrem a ocorrência e reúnam documentos que possam contribuir para a identificação dos responsáveis. Além disso, a OAB-GO disponibiliza um formulário para receber informações sobre os golpes, incluindo o número do registro policial, os dados do processo envolvido e a identificação dos profissionais prejudicados.
Com essa iniciativa, a Comissão de Segurança Pública e Política Criminal da OAB-GO busca auxiliar as autoridades policiais no enfrentamento desse tipo de fraude.
Com informações do Portal 6
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