quarta-feira - 25 - março - 2026

Mundo / Oriente Médio / Guerra: Guerra no Oriente Médio segue sem trégua apesar de anúncio de negociações

Publicado por: Marcelo José de Sá Diretor-Presidente e Editor-Geral do Site do Jornal Espaço

 

Segundo  Trump, Irã e EUA negociam neste momento para tentar encerrar o conflito iniciado em 28 de fevereiro
                                                                                                                                                       Foto por DIMITAR DILKOFF / AFP
Uma coluna de fumaça e um fragmento de concreto se elevam do local de um ataque aéreo israelense nos arredores orientais de Tiro, no sul do Líbano, em 24 de março de 2026. O Líbano foi arrastado para a guerra no Oriente Médio quando o Hezbollah, apoiado pelo Irã, começou a disparar foguetes contra Israel em 2 de março para vingar o assassinato do líder supremo do Irã. Desde então, Israel lançou ataques em todo o Líbano, matando pelo menos 1.039 pessoas e deslocando mais de um milhão, além de enviar tropas terrestres para o sul do país.
Uma coluna de fumaça e um fragmento de concreto se elevam do local de um ataque aéreo israelense nos arredores orientais de Tiro, no sul do Líbano, em 24 de março de 2026.

Os bombardeios prosseguiam nesta quarta-feira (25) no Oriente Médio, apesar do plano de paz anunciado por Donald Trump, com mísseis e drones iranianos lançados contra Israel e países do Golfo e ataques israelenses contra Teerã e o Líbano.

Irã e Estados Unidos negociam “neste momento” para tentar encerrar o conflito iniciado em 28 de fevereiro, afirmou na terça-feira o presidente Donald Trump. Ele informou que seu enviado Steve Witkoff, seu genro Jared Kushner, o vice-presidente JD Vance e o chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, participam no processo.

Vários meios de comunicação, incluindo o jornal New York Times e a emissora de televisão israelense Channel 12, afirmam que o governo Trump propôs um plano de paz de 15 pontos ao Irã com a mediação do Paquistão, que mantém boas relações com as partes.

Segundo três fontes não identificadas citadas pelo Channel 12, o governo dos Estados Unidos propõe um cessar-fogo de um mês, período para que as autoridades iranianas analisem suas exigências.

Segundo o canal israelense, dos 15 pontos do plano, cinco se referem ao programa nuclear iraniano, outros impõem o abandono do apoio aos aliados do Irã na região, como o Hezbollah ou o Hamas, e um tópico exige que o Estreito de Ormuz permaneça aberto à navegação marítima.

Em contrapartida, o Irã conseguiria a suspensão das sanções internacionais e apoio para seu programa nuclear civil. Segundo a Organização Marítima Internacional (OMI), o Irã está flexibilizando a pressão em Ormuz, por onde passava 20% da produção mundial de hidrocarbonetos antes da guerra, e permitirá a “passagem segura de navios não hostis”.

O bloqueio da passagem desde o início da guerra provocou a disparada dos preços do petróleo, com cotações acima de 100 dólares por barril.

Na terça-feira, Trump mencionou “um presente muito grande”, uma possível referência à reabertura parcial de Ormuz, informação que provocou a queda dos preços do petróleo.

O Irã, no entanto, não confirmou nenhuma negociação e o presidente do Parlamento do país, Mohammad Baqer Qalibaf — que segundo o site de notícias Axios seria o interlocutor de Washington — negou categoricamente qualquer conversação. A imprensa americana também informou o envio ao Oriente Médio de 3.000 soldados paraquedistas como reforço.

Incêndio no aeroporto do Kuwait

A guerra iniciada em 28 de fevereiro com a ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã não dá sinais de trégua. A Guarda Revolucionária, o exército ideológico do Irã, anunciou ataques nesta quarta-feira contra o norte e o centro de Israel, incluindo a região de Tel Aviv, assim como contra duas bases militares americanas no Kuwait, uma na Jordânia e outra no Bahrein.

Segundo os serviços de emergência israelenses, 12 pessoas ficaram feridas na terça-feira perto de Tel Aviv por um ou vários mísseis iranianos. No Kuwait, um ataque com drones incendiou um depósito de combustível no aeroporto internacional do emirado, segundo a autoridade de aviação civil, que não relatou vítimas.

Como nos dias anteriores, o Exército israelense anunciou uma série de ataques “contra as infraestruturas do regime terrorista iraniano em Teerã”. “O barulho, as explosões e os mísseis já fazem parte da vida cotidiana”, disse à AFP por telefone uma mulher de 35 anos, nascida no Curdistão iraniano e moradora de Teerã.

Israel também prossegue com a ofensiva no Líbano, onde pelo menos nove pessoas morreram na madrugada desta quarta-feira em três bombardeios no sul, segundo a agência oficial de notícias ANI. A região é um reduto histórico do movimento pró-iraniano Hezbollah.

Desde que o Líbano foi arrastado para a guerra regional em 2 de março, os ataques israelenses mataram mais de mil pessoas e provocaram o deslocamento de mais de um milhão de moradores, segundo as autoridades.

O ministro israelense da Defesa, Israel Katz, afirmou na terça-feira que as forças do país “manobravam no território libanês para assumir o controle de uma linha de defesa avançada” até o rio Litani, a quase 30 quilômetros da fronteira.

 

AFP

 

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