Publicado por: Marcelo José de Sá Diretor-Presidente e Editor-Geral do Site do Jornal Espaço
Próximas reuniões abordarão opções diplomáticas e militares para garantir a segurança da navegação
Leon Neal/Pool via Reuters – 02.04.2026
Ministra britânica das Relações Exteriores, Yvette Cooper fala durante uma cúpula virtual
Cerca de 40 países discutiram nesta quinta-feira (2) uma ação conjunta para reabrir o estreito de Ormuz e impedir que o Irã mantenha “a economia global como refém”, informou o Reino Unido, depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que a segurança da hidrovia era para outros resolverem.
A ministra das Relações Exteriores do Reino Unido, Yvette Cooper, afirmou que a “imprudência” do Irã ao bloquear a hidrovia estava “atingindo as famílias e empresas em todos os cantos do mundo” — enquanto presidia a reunião virtual, que incluía França, Alemanha, Canadá, Emirados Árabes Unidos e Índia.
“Vimos o Irã sequestrar uma rota marítima internacional para manter a economia global como refém”, disse Cooper no discurso de abertura transmitido à mídia antes que o restante da reunião ocorresse a portas fechadas.
As discussões ocorreram depois que Trump disse na noite de quarta-feira (1º) que o estreito poderia se abrir “naturalmente” e que era responsabilidade dos países que dependem da hidrovia garantir que ela estivesse aberta.
Autoridades europeias disseram que a reunião inicial desta quinta-feira se concentrou em quais países estavam preparados para participar da coalizão proposta e nas opções diplomáticas e econômicas disponíveis para persuadir o Irã a abrir o estreito.
Embora a reunião tenha terminado sem nenhum acordo específico, houve um consenso de que o Irã não deveria introduzir taxas de trânsito sobre os navios que usam a hidrovia e que todas as nações deveriam poder usá-la livremente, disse uma das autoridades.
A próxima etapa das conversações será quando os planejadores militares se reunirem, na próxima semana, para discutir opções, incluindo um possível trabalho de limpeza de minas e o fornecimento de uma força de segurança para a navegação comercial.
Foco nas opções diplomáticas e militares
O Irã fechou efetivamente a principal hidrovia, que transporta cerca de um quinto do consumo total de petróleo do mundo, em retaliação aos ataques israelenses e norte-americanos que começaram no final de fevereiro.
Sua reabertura se tornou uma prioridade para os governos de todo o mundo à medida que os preços da energia sobem.
Inicialmente, os países europeus recusaram a exigência de Trump de enviar suas marinhas para a área devido ao receio de serem arrastados para o conflito.
Mas as preocupações com o impacto do aumento do custo da energia na economia global os levaram a tentar formar uma coalizão para ver como poderiam defender seus próprios interesses.
Diplomatas europeus disseram que a formação da coalizão estava em um estágio inicial, com o Reino Unido e a França na liderança. Os EUA não estavam envolvidos.
O porta-voz das Forças Armadas da França, Guillaume Vernet, disse em uma coletiva de imprensa nesta quinta-feira que o processo teria várias fases e não poderia acontecer até que as hostilidades tivessem terminado.
Um dos focos das conversações seria como garantir que os armadores pudessem se sentir confiantes o suficiente para que as embarcações voltassem a viajar pela área e para reduzir os prêmios de seguro.
Eventualmente, também seria necessária uma coordenação com o Irã para assegurar que haja garantias de segurança para os navios, disse Vernet, algo que é improvável por enquanto.
Também foram iniciadas conversas sobre os recursos militares que poderiam ser fornecidos, disse ele.
“Precisaremos reunir um número suficiente de embarcações e ter capacidades de coordenação no ar e no mar, bem como a capacidade de compartilhar inteligência”, disse ele.
Trump afirmou na noite de quarta-feira que outros países que utilizam o estreito de Ormuz deveriam “criar alguma coragem tardia” e “simplesmente tomá-lo”.
“Apenas peguem-no, protejam-no e usem-no para vocês”, disse ele.
Mas o presidente da França, Emmanuel Macron, falando na Coreia do Sul nesta quinta-feira, disse que tomar o Estreito militarmente era uma opção “irrealista”.
“Levaria um tempo indefinido e exporia todos aqueles que se aventuram por esse estreito aos riscos costeiros da Guarda Revolucionária, bem como aos mísseis balísticos”, disse ele.
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