quarta-feira - 12 - agosto - 2026

Mundo / Colômbia / Terremoto: Mortos em terremoto na Colômbia passam de 250

Publicado por: Marcelo José de Sá Diretor-Presidente e Editor-Geral do Site do Jornal Espaço

Socorristas correm contra o tempo para encontrar sobreviventes; governo pode decretar estado de emergência econômica
Pessoas removem escombros no local de um prédio danificado após terremoto na Colômbia

Pessoas removem escombros no local de um prédio danificado após terremoto na Colômbia. Foto: Juan David Duque/Reuters – 11.08.2026

Equipes de resgate escavavam montanhas de concreto despedaçado no oeste da Colômbia nesta terça-feira (11), correndo contra o tempo para encontrar sobreviventes após um forte terremoto que matou mais de 250 pessoas, segundo estimativas das autoridades locais. As famílias aguardam ao lado dos escombros por sinais de vida.

O terremoto de magnitude 7,4, o mais forte a atingir o país sul-americano em décadas, assolou a região cafeeira da Colômbia na manhã de segunda-feira (10), deixando prédios de apartamentos, casas, escolas e centros de saúde rachados, inclinados ou totalmente destruídos. Quase 100 réplicas foram registradas até a manhã desta terça-feira.

Nas cidades mais atingidas, equipes de resgate trabalharam durante toda a noite com guindastes, escavadeiras e, às vezes, com as próprias mãos, cortando vergalhões retorcidos e passando baldes de escombros em buscas desesperadas por quem ainda estivesse preso.

Governo pode decretar estado de emergência econômica

O ministro da Fazenda da Colômbia, Miguel Gómez, disse que o governo pretende decretar estado de emergência econômica para reforçar a resposta ao forte terremoto. Em declaração nesta terça ao Parlamento, Gómez afirmou que a medida deve facilitar a liberação de recursos e a adoção de ações para enfrentar as consequências do desastre.

Com a decretação, o recém-empossado presidente Abelardo de la Espriella teria poder temporário para editar decretos nas áreas econômica e tributária sem necessidade de aval do Congresso.

O ministro ainda garantiu que o governo não planeja elevar impostos para lidar com a crise. Segundo ele, a prioridade será ajustar o Orçamento Geral da Nação (PGN), com cortes e economia em despesas burocráticas, antes de repassar uma maior carga tributária à população.

Relatório aponta 5.000 moradias danificadas

Abelardo De La Espriella disse que decretou uma medida de auxílio econômico de três meses para a população da região cafeeira de Risaralda, falando de sua capital, Pereira.

“Partiu meu coração passar pelo centro da cidade e ver todos esses estabelecimentos destruídos”, disse ele, acrescentando que esperava que as medidas fossem “uma lufada de ar em meio a essa tragédia”.

Relatórios separados das cidades afetadas estimavam o número de mortos em 254 na manhã desta terça-feira, com 101 pessoas mortas em Pereira e 95 em Cali, a terceira maior cidade do país.

O Escritório das Nações Unidas para Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) estimou que 5.000 moradias foram danificadas, enquanto dezenas de prédios desabaram e centenas de residências foram destruídas.

Em Cali, moradores se reuniram nas ruas depois que partes de casas e prédios de apartamentos desabaram. Famílias cozinhavam ao ar livre, resgatavam o que podiam e se preparavam para mais um dia longe de casa. Vários andares superiores de um dos hospitais da cidade — alguns dedicados ao atendimento pediátrico — desabaram, deixando alguns pacientes presos e outros 600 atendidos em uma rua repleta de escombros, disse Irne Torres Castro, diretora do hospital, à emissora Caracol.

Na manhã desta terça-feira, filas de caminhões basculantes cheios de escombros seguiam para o aterro sanitário de Cali, em meio a um tráfego intenso, depois que o prefeito suspendeu as restrições normais de trânsito após o desastre. Muitos semáforos continuavam apagados enquanto equipes de resgate removiam os escombros sob um calor de 30 graus Celsius.

O secretário de Saúde Pública de Cali, German Escobar, disse que o necrotério da cidade estava lotado e que as autoridades estavam retirando mais corpos das ruas.

O influenciador colombiano nas redes sociais, José Gallego, havia acabado de chegar ao aeroporto de Pereira e estava gravando um vídeo ao vivo quando o terremoto ocorreu, capturando imagens do tremor violento enquanto se agachava debaixo de uma mesa e pedaços do teto desabavam.

“Havia pessoas feridas, sangrando, gritando e tentando entrar em contato com suas famílias, mas não havia sinal”, disse ele. “Atravessei a cidade a pé; levei duas horas e as cenas eram devastadoras.”

Bairros inteiros foram reduzidos a lajes de concreto quebradas e cômodos expostos. Moradores e voluntários formaram correntes humanas, enquanto outros ficavam em silêncio nas proximidades, prestando atenção a sons de batidas ou gritos vindos de baixo.

“Já retiraram várias pessoas, algumas vivas e outras mortas. Ainda não consigo acreditar — ontem, a esta mesma hora, eu os cumprimentei, e hoje eles se foram”, disse Fernanda Gaviria, 33, falando de um supermercado em frente a um prédio desabado.

Gaviria contou que passou a noite dormindo em um parque depois que seu próprio prédio ficou gravemente danificado.

O terremoto também destruiu infraestruturas essenciais. As autoridades da aviação civil fecharam seis aeroportos — Quibdó, Pereira, Manizales, Armênia, Cartago e Buenaventura — devido aos danos, enquanto dezenas de estradas foram afetadas.

O fornecimento de eletricidade, água, serviços de saúde e telefonia continuava interrompido em várias áreas, especialmente em Chocó, próximo ao epicentro, o que complicava os esforços de resgate e a distribuição de ajuda humanitária.

Os EUA informaram ter destinado US$ 15,5 milhões para abrigos de emergência, alimentação, proteção e avaliações de danos, enquanto o Banco Interamericano de Desenvolvimento afirmou ter disponibilizado imediatamente US$ 50 milhões para apoio à reconstrução, caso seja solicitado.

A coordenadora residente da ONU na Colômbia, Maria José Torres, disse que a ONU está trabalhando para aumentar sua presença na região cafeeira e que suas instituições não foram afetadas pela recente mudança de governo no país.

Com as comunicações ainda irregulares em algumas das áreas mais atingidas, as autoridades afirmaram que pode levar dias para se determinar a extensão total dos danos e o número final de mortos.

 

 

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