sábado - 25 - abril - 2026

Mundo / Colômbia / Revolta Popular / Bogotá: Repressão sangrenta na Colômbia amplia revolta popular iniciada com atos contra reforma tributária

Manifestantes protestam contra projeto de reforma tributária na Colômbia. Foto: EFE/ Carlos Ortega

 Manifestantes protestam contra projeto de reforma tributária na Colômbia. Foto: EFE/ Carlos Ortega

Mesmo após recuo de presidente Iván Duque em projeto fiscal, protestos ganham força; com 18 civis mortos em seis dias, manifestantes falam em ‘massacre’

Os atos contra uma proposta de reforma tributária impulsionada pelo governo de Iván Duque ganharam força desde o domingo 2 após forças militares aumentarem a repressão aos manifestantes e se tornaram protestos nacionais contra o aumento da pobreza, o desemprego e a desigualdade na Colômbia, quarta maior economia da América Latina prejudicada pela pandemia do novo coronavírus. Na manhã desta terça-feira, 4, pessoas tomaram as ruas e bloqueios foram levantados em rodovias da capital Bogotá e de Cali, a terceira cidade do país e a mais afetada pelos distúrbios.

A proposta de reforma tributária, apresentada por Duque no dia 15 de abril, foi retirada do Congresso na segunda-feira e o presidente afirmou que enviará um novo texto para análise. Mesmo assim, os protestos continuaram. Na quarta-feira, o que começou como uma nova manifestação contra a reforma se transformou em graves protestos contra o governo e confrontos com a força pública.

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O presidente conservador enfrenta protestos sem precedentes nas ruas desde que chegou ao poder em 2018. Sindicatos, indígenas, organizações civis, estudantes, entre outros setores insatisfeitos, exigem uma mudança de rumo de seu governo. As mobilizações atuais refletem também o desespero causado pela pandemia que atinge com força o país de 50 milhões de habitantes.

Em seu pior desempenho em meio século, o Produto Interno Bruto (PIB) da Colômbia despencou 6,8% em 2020 e o desemprego subiu para 16,8% em março. Quase metade da população vive na informalidade e na pobreza, de acordo com dados oficiais.

Violência em Cali

Em Cali, a primeira cidade para onde militares foram enviados para controlar as manifestações, houve denúncias de abuso de força policial e execução de manifestantes entre a noite de segunda e a madrugada desta terça-feira, provocando uma reação formal do escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, em Genebra. Em Bogotá e Medellín, os prefeitos da oposição rejeitaram a oferta de militarizar suas cidades. Ainda assim, soldados patrulham a capital por ordem presidencial.

O Ministério da Defesa anunciou na sexta-feira a chegada a Cali de mais de 700 soldados, 500 homens da força de choque (Esmad), 1.800 policiais e dois helicópteros para apoiar a força pública local. A Secretaria de Segurança de Cali registrou cinco mortos nesta terça-feira e 33 feridos durante as manifestações e excessos no dia anterior.

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O defensor público Carlos Camargo denunciou que uma pessoa da entidade, juntamente com outra da Procuradoria-Geral da República – encarregada de apurar irregularidades de funcionários – e três defensores dos direitos humanos, foram agredidos pela força pública enquanto prestavam assistência a detidos em Cali.

Os cinco “foram ameaçados por agentes da polícia nacional que dispararam repetidamente para o ar e para o solo, atiraram granadas de atordoamento, abusaram verbalmente deles e exigiram que abandonassem o local”, afirmou.

O ministro da Defesa, Diego Molano, evitou referir-se ao ataque e garantiu que policiais e militares são vítimas de ataques orquestrados por grupos armados. “O destacamento da força pública foi muito grande, sem precedentes, uma coisa apavorante (…) eles não entram negociando com a comunidade mas atirando nos cidadãos”, disse Yonny Rojas, da Fundação Créalo, que zela pelos Direitos Humanos em Siloé, um bairro de Cali.