sexta-feira - 21 - agosto - 2026

Lúcia Vânia, Wilder Morais ou Demóstenes: dois deles devem ser eleitos em outubro

Eleições costumam ser mais “caixinha de surpresas” do que futebol. Mas existem indícios científicos que suscitam pensamentos e teorias sólidas. Os números revelam muito do período eleitoral e o contexto social também. Espriral do Silêncio, Efeito Bandwagon, Hipótese da Agenda são algumas teorias que se aplicam ao processo eleitoral. Muitas vezes tais teorias são flagradas em execução.

Prever o futuro político é difícil. Não impossível. Estas eleições são clássicas disputas de “oposição”. Ou seja, o povo está irado com a velha política e revoltado com políticos profissionais – principalmente os considerados “ficha sujas”.  O governo – tanto estadual quanto federal – nunca foi tão mal avaliado. São números claros.

A missão que proponho é analisar os resultados qualitativos e quantitativos para o Senado Federal em Goiás até aqui. Eles deixam poucas dúvidas: ou Lúcia Vânia (PSB) ou Wilder Morais (DEM) ou Demóstenes Torres (PTB) serão eleitos em outubro.

Primeiro vou tirar da lista dos vitoriosos aqueles que não acredito que obtenham êxito – não significa que não gosto deles, mas que não existe ambiente para a vitória.

Primeiro, Fabrício Rosa (PSol). Excelente pré-candidato, ele integra uma legenda sem tradição na política goiana e não tem recursos suficientes para mostrar todo seu potencial. Será um ótimo candidato, mas não acredito que a população consiga percebê-lo.

Não pretendo aprofundar sobre nenhum nome do MDB por um simples motivo: não existem pré-candidatos consolidados. O deputado federal Pedro Chaves (MDB), pretendente, é desconhecido dos dois principais bolsões de votos: Goiânia e região metropolitana e Entorno do Distrito Federal. Logo, a legenda terá imensas dificuldades de elegê-lo.  Ele sequer se apresenta como pré-candidato. É um blefe na disputa.

Luís César Bueno (PT) é um ótimo parlamentar, mas integra a legenda mais desgastada do país. É difícil o PT vencer uma eleição majoritária em Goiás nos próximos anos, fora Anápolis ou outro município em que a sigla esteja mais consolidada.

Não vejo chances reais de Vilmar Rocha (PSD) disputar as eleições dentro da base aliada. Ele tem certo ‘recall’ das urnas, mas sua ambientação neste grupo segue inviável; por sua vez, sua aproximação e dos demais deputados com Marconi Perillo impede o PSD se aliar com a oposição, hoje baseada em um forte anti-marconismo. Resumo da ópera: ficará onde está.

Marconi Perillo (PSDB) é o candidato com maior rejeição. 47,7% responderam que não votam de jeito nenhum em Marconi, segundo o levantamento da Pesquisa Grupom. É um dado alarmante: metade dos eleitores já descartaram Marconi previamente. Faça as contas: o que sobra de votos antimarconi será dividido com todos os demais. Já parte significativa do voto “dele” é duro e inamovível.

No histórico de pesquisas realizadas para o Senado em Goiás, desde a década de 1990, nenhum político foi eleito com tamanha rejeição.

É preciso lembrar que Marconi ainda não entrou no processo eleitoral, momento em que se acirram denúncias e ataques contra sua imagem.

Sem uma candidatura ao governo consistente, a base aliada pode perder a vaga ao Senado dada como certa.

Para vencer, Marconi precisaria chegar a 30% das intenções de voto nos próximos 60 dias, algo ainda distante da realidade há pouco mais de três meses das eleições.

Penso que Marconi deve repetir o desempenho de Iris em 2002. Caso não desista antes, a rejeição vai impedi-lo matematicamente de ter os apoios possíveis para sua eleição. No momento,  seus votos estão sangrando. Parte deles vai para Demóstenes, Lúcia, Wilder e Vilmar. Com Vanderlan Cardoso (PP) na disputa dobra a chance dele perder.

Jorge Kajuru (PRP), que aparece à frente de Marconi Perillo (PDSB) nas pesquisas de opinião, não será candidato ao Senado. Não vejo o vereador com estrutura emocional, partidária e financeira para disputar um cargo majoritário.

Kajuru precisa pedir voto na rua e não atrás de computador, onde matematicamente não se consegue chegar à grande massa de votos para o Senado.

Acredito que não está preparado para este desafio. A tendência é de que sem recursos financeiros e a repetição dos mesmos argumentos de sempre, além da pouca disposição para circular o Estado, sua campanha acabe enfadonha. Logo, não vejo seu nome nas urnas. Deverá ser candidato à deputado federal.

Vanderlan Cardoso (PP) é uma incógnita. Sua legenda deve integrar a base, já que é subalterna ao PSDB. E ele não terá espaço para concorrer fora – a não ser que dispute ao lado do MDB.

Mesmo assim é um político sem pegada, mais acostumado a perder do que ganhar eleições. Desta forma precisaria de se desdobrar caso deseje mesmo concorrer em uma disputa profissional acirradíssima como a do Senado Federal.

Restam agora os políticos que acredito terem chances de eleição.

Primeiro o paradoxal senador Wilder Morais (DEM). Trata-se da menor rejeição de todas:  6,8% não votariam nele. E menor intenção de votos. É o político sensação de Goiás e tornou-se conhecido dos formadores de opinião – lideranças políticas e jornalistas.

Todavia, é pouquíssimo conhecido dos populares por um motivo até nobre: não investiu em propaganda durante seu mandato. Falar que não aparece porque não trabalha é leviano. Wilder é considerado o parlamentar que mais trouxe recursos públicos para Goiás. Todos os formadores de opinião já sabem disso.

Apesar de figurar lá embaixo nas pesquisas de opinião, durante a campanha – quando a população força o pensamento para decidir- mais cedo ou mais tarde todos saberão de sua história de superação e de como se tornou um dos maiores construtores do país.  Durante a campanha, na reta final, existe uma corrida do eleitor para a biografia dos candidatos. É ali que ele pode ter alguma chance. Apesar de senador, Wilder não é político. Se os eleitores descobrirem isso, ele ganha a eleição.

Wilder conta com um trunfo: é o candidato do senador Ronaldo Caiado (DEM), líder das pesquisas para o governo.

As chances de quem vota em Caiado apoiar Wilder são grandes, já que os dois uniram suas campanhas e percorrem o estado juntos. E Caiado beira os 40% das intenções de votos.

Outro fator ajuda Wilder: jovem, ele corre o Estado. Enquanto muitos percorrem duas cidades, em um dia ele passa em seis.

Demóstenes Torres (PTB) é outro nome com chances reais e cada vez mais proeminentes. Qual motivo? Herdou um sistema montado, com apoio de prefeitos. Por enquanto, todavia, é uma incógnita, pois teve grande popularidade no passado. Logo ao anunciar que disputaria o cargo já pulou para a fila da frente. O ex-senador está tecnicamente limpo no Supremo Tribunal Federal (STF). Mas será que conseguirá comunicar isto para a população? É o desafio de sua equipe. No momento, sofre grande constrangimento de Lúcia Vânia, que deseja se manter na base. Ela não aceita participar de eventos ao lado do ex-senador. Fora da base suas chances são menores, já que não existe espaço para o ex-senador na oposição – Demóstenes entrou em conflito com Caiado em 2014.

Resta Lúcia Vânia (PSB), a grande revelação da disputa eleitoral deste ano. Ela lidera sem ter paz na base, já que constantemente sofre ameaças de que será deslocada do grupo.

A população nada tem contra ela e Lúcia consegue dialogar com base e oposição. Logo, sera candidata do governo ou da oposição. A senadora é a que mais se sustenta na disputa, seja pelo histórico, recall ou serviços prestados.

Agora a fundamentação da análise geral. Ocorreram pesquisas nas eleições do Tocantins – o que é um laboratório eleitoral do Brasil. Lá, ocorreu um recorde de abstenção. E o povo elegeu gente não tão badalada – caso do Mauro Carlessi. Não foi o governo que ganhou. Os nomes conhecidos e carimbados adquiriram estágio de saturação/redundância e sequer chegaram no segundo turno.

Guardem este texto e analisem quando as urnas forem abertas.  Vamos ver se o comportamento do eleitor é ou não mais ou menos previsível. Fora fato de força maior, como o derrame para a compra de votos, não vejo outro resultado.

Idealizada por: Welliton Carlos. Jornalista, advogado, doutor em Sociologia e mestre em Direito Agrário pela Universidade Federal de Goiás (UFG)

Fonte: PoliTIKOS

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