Flúvia Amorim, superintendente em Vigilância de Saúde: “Até que tenhamos vacina para todos, precisamos ter medidas mais restritivas para evitar avanço da contaminação”
Diante do avanço na contaminação por coronavírus e lotação de leitos de UTIs em muitas cidades, alguns prefeitos se posicionaram a favor da medida, mas a publicação de novo decreto depende do resultado de uma consulta que está sendo feita pelo governo estadual aos gestores municipais.
O governo estadual poderá nos próximos dias baixar decreto estabelecendo horário para proibição de venda e consumo de bebidas alcoólicas. A adoção da chamada Lei Seca é a principal medida definida na reunião realizada por videoconferência na tarde desta segunda-feira (25/01) pelo governador, autoridades de outros poderes e prefeitos.
A principal preocupação é com o aumento da taxa de transmissibilidade do coronavírus em Goiás. Algumas cidades, como Jataí e Trindade, apresentam percentuais muito elevados, chegando a 2% no caso do município do Sudoeste goiano. Ao mesmo tempo, a taxa de ocupação dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTIs) nos hospitais municipais e estaduais também apresenta crescimento significativo. Os prefeitos de Itumbiara, Porangatu, Jataí, Luziânia e Formosa informaram que todos os leitos estão ocupados.
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A superintendente em Vigilância de Saúde, da Secretaria Estadual de Saúde, Flúvia Amorim, apresentou um estudo da Universidade Federal de Goiás que mostra que 10 cidades goianas apresentam estágio acelerado de transmissibilidade da doença, isto é, taxa superior a 1. No estudo, Goiânia aparece com taxa de 1.01; Aparecida de Goiânia, 1.52; Rio Verde, 1.75, Águas Lindas de Goiás, 1.54; Luziânia: 1.74; Valparaíso de Goiás, 1.76; Trindade, 1.83, Formosa, 1.27; Novo Gama: 1.75, Senador Canedo: 1.61.
“Diante desse quadro de aceleração, o ideal é que tivéssemos vacina para todos. Mas até que tenhamos vacina para todos, precisamos ter medidas mais restritivas para evitar a contaminação”, falou Flúvia Amorim, sugerindo a adoção da lei seca em bares a partir das 20h.
“Inicialmente essa seria uma medida restritiva, para evitar essas aglomerações”, pontua.
Outra medida seria a limitação e fiscalização de realização de eventos, que segundo a superintendente, “também têm sido um grande problema”.
Caiado: “O que for deliberado pela maioria dos prefeitos é o que vou acolher”
Governador Ronaldo Caiado: preocupação é não fazer nada e o sistema de saúde colapsar, como já ocorre em cidades como Jataí e Luziânia
Apesar do temor pela revolta de comerciantes devido à proibição de venda de bebida alcoólica, maioria dos prefeitos se mostra favorável à adoção de medida de restrição para aumentar o distanciamento social e conter a disseminação do coronavírus. Governador, todavia, se mostra cauteloso e quer garantia de que a medida a ser tomada seja aprovada pelos gestores municipais
Apesar de estar liderando a tomada de decisão sobre proibição de venda de bebidas alcoólicas em locais públicos, especialmente bares e restaurantes, o governador Ronaldo Caiado (DEM), não será o responsável diretamente pela decisão. Cauteloso, ele estabeleceu que os prefeitos dos 246 municípios goianos é que devem decidir se querem adotar a proibição do consumo de bebidas alcoólicas após as 22h em bares, restaurantes e comércios, como medida para tentar diminuir a transmissão do coronavírus em Goiás.
Durante a reunião por videoconferência nesta segunda-feira (25/01) com prefeitos, o governador fez questão de deixar claro que a medida não será tomada isoladamente ou de cima para baixo pelo governo estadual. Um decreto será publicado somente após os prefeitos responderem a uma enquete se são favoráveis ou não à nova medida. Assim que a votação alcançar votos positivos da metade e mais um prefeito, o governo tomará a decisão consolidando o que foi definido pelos gestores municipais. Até às 15h50 desta segunda, o governador informou que 50 prefeitos tinham votado e 97% deles eram favoráveis.
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Prefeitos de cidades importantes do estado, como Goiânia, Jataí, Luziânia, Rio Verde, Anápolis e Aparecida de Goiânia, opinaram durante a videoconferência e, de modo geral, apoiaram a adoção de restrições.
“Sou a favor de que a gente possa estar discutindo algo a ser feito. Mas que a gente calcule toda as variantes. Não só suspender o funcionamento de restaurantes, de festas e eventos, sem que haja um prazo natural para que as pessoas possam fechar seus estoques, sem que haja um mínimo de planejamento”, pontuou o prefeito de Anápolis, Roberto Naves.
“Se a gente fizer isso de uma hora para outra, vamos ter uma revolta muito grande”
Aliado político de Caiado, o prefeito de Anápolis ponderou que “naturalmente alguma coisa tem que ser feita” e adiantou que o próprio município vai republicar, na próxima quinta-feira, os protocolos e a matriz de risco adotada durante a primeira onda.
“Mas também temos a convicção de que a população está com a paciência mais curta e de que a suspensão do auxílio emergencial traz uma questão social muito mais grave do que na primeira onda”, falou Roberto Naves.
“Se a gente, governador, fizer isso de uma hora para outra, vamos ter uma revolta muito grande por parte dos profissionais que trabalham nessa área, juntamente com a população”, disse.
Diante das ponderações, Ronaldo Caiado disse que a restrição seria exclusivamente para o consumo de bebidas alcoólicas em locais públicos, após as 22 horas.
“Eu só quero fazer um reparo: ninguém está fechando nada. A proposta é única e exclusivamente para que não haja o consumo de álcool a partir das 22 horas. Seja onde for. O bar que quiser, pode ficar aberto até amanhecer o dia, desde que não haja consumo de álcool”, disse o governador.
E explicou: “A preocupação é não fazer nada e essa proporção continuar num crescimento exponencial e colapsar cidades como Jataí, como Luziânia, cidades onde não têm mais onde [o paciente] ser atendido. Essa é a cautela que eu estou tendo. Mas aquilo que for deliberado pela maioria dos prefeitos é o que eu realmente vou acolher, dando conhecimento a posição que foi vencedora”, finalizou.
Da redação
Uma coisa é certa, que o vírus está se espalhando está. Agora as autoridades é que devem ser mais firmes na imposição das leis, principalmente sobre abertura de bares e restaurantes durante essa terrível pandemia que está matando e matando. E sobre a questão do horário de abertura de bares, até as 22 horas, hora; será que todos estão cegos? Ou ninguém vai pegar o vírus das 18 as 22 horas? Essa é a pergunta; então, no contar das abóboras, essa Lei Seca, que estão querendo instaurar não vai adiantar nada. E para a população como todos estamos vendo, que não estão nem aí para quem morre ou quem não morre, inclusive eles mesmos, na maioria os butequeiros (donos e clientes); fica a seguinte pergunta, o que vale mais, a vida ou a disseminação da doença?



