quarta-feira - 25 - março - 2026

Estados / Rio de Janeiro / Guerra ao Tráfico: Castro compra outra briga com Ministério da Justiça ao anunciar transferência de líderes do CV

Publicado por: Marcelo José de Sá Diretor-Presidente e Editor-Geral do Site do Jornal Espaço

 

Post do governador do Rio de Janeiro, que anunciou a transferência de líderes presos durante a operação do mês passado para presídios federais, irritou também a Senappen

Transferência de líderes do Comando Vermelho no Rio de Janeiro. Foto: Reprodução/X @claudiocastroRJ – 12.11.2025

 

Mais uma vez, o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), provocou ruído com o Ministério da Justiça e a Senappen (Secretaria Nacional de Políticas Penais), responsável pelas cinco penitenciárias federais do país.

O motivo, desta vez, foi uma postagem nas redes sociais em que o governador anunciou a transferência de sete líderes do Comando Vermelho para penitenciárias federais de segurança máxima.

A divulgação irritou integrantes das duas instituições, que costumam manter sigilo absoluto em ações desse tipo.

A preocupação é evitar que integrantes das facções sejam avisados e que imagens exponham detalhes das operações, o que pode comprometer a segurança dos policiais penais federais envolvidos e deixar brechas para riscos de tentativa de resgate.

Nos posts, Castro afirmou ter conseguido as vagas nos presídios federais “depois de procurar o Ministério da Justiça” e celebrou o que chamou de mais uma etapa no enfrentamento ao crime. “Não vamos permitir que o Rio de Janeiro vire um resort do crime”, escreveu.

Veja:

Nos bastidores, fontes do MJ e da Senappen relataram descontentamento com o tom triunfalista do governador e com o televisionamento da transferência dos presos.

Oficialmente, a Senappen informou que “as vagas solicitadas pelo governo estadual foram pronta e integralmente atendidas”.

“As transferências ocorrem conforme o rito processual estabelecido com o Poder Judiciário, que analisa individualmente cada pedido e autoriza a inclusão dos presos nas unidades federais. A operação desta quarta-feira contempla os sete custodiados já autorizados judicialmente”, diz em nota.

Castro afirmou a jornalistas no Congresso Nacional que ninguém avisou a ele sobre o sigilo de operações assim. “Não chegou lá em nenhum momento pedindo para que não se falasse. […] Antes de criticar, tem que orientar. Não orienta e depois critica, parece que é má-vontade”, apontou.

“Estado sozinho”

O episódio reacende o clima de tensão entre o Palácio Guanabara e o governo federal.

Em outubro, durante a megaoperação policial nos complexos do Alemão e da Penha, o governador acusou o Ministério da Justiça de “deixar o Estado sozinho” no combate ao tráfico.

A pasta rebateu publicamente, dizendo ter atendido todos os pedidos do Rio para atuação da Força Nacional.

 

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