Publicado por: Marcelo José de Sá Diretor-Presidente e Editor-Geral do Site do Jornal Espaço
Doença contagiosa deixa especialistas em alerta. Capital do país teve 23 orrências em 2026, oito só em outubro. Lacen faz análises para identificar qual é a cepa do vírus. Secretaria de Saúde aguarda novas doses da vacina

A mpox é uma doença infecciosa causada pelo vírus MPXV. Segundo o Ministério da Saúde, a maioria dos casos apresenta evolução de leve a moderada. A principal manifestação da doença é o surgimento de erupções cutâneas e lesões na pele, semelhantes a bolhas ou feridas, que costumam ser dolorosas.
A cepa predominante entre os casos recentes da doença no DF não foi identificada até o momento, segundo informou a SES-DF. “O Laboratório Central de Saúde Pública do Distrito Federal (Lacen-DF) está realizando análises complementares em amostras para identificação do tipo viral. Portanto, não é possível afirmar qual cepa está circulando com maior frequência no DF”, informou a pasta, em nota.
Vigilância
O infectologista Daniel Paffili Prestes alertou que a identificação da cepa entre os casos recentes da doença no DF ajuda a compreender o comportamento do vírus na comunidade. “A identificação da linhagem permite entender quais variantes estão circulando no Distrito Federal, identificar a possível introdução de novas linhagens e acompanhar mudanças no comportamento da doença. Essas informações ajudam as autoridades a direcionar investigações, monitorar contatos e organizar as estratégias de prevenção”, ressaltou.
O especialista destacou, no entanto, que a identificação da cepa não determina, isoladamente, a gravidade de um paciente nem significa que o tratamento será obrigatoriamente diferente. “Na prática clínica, a conduta inicial continua baseada na avaliação dos sintomas, na extensão das lesões, na presença de complicações e nos fatores individuais de risco. A maioria dos pacientes necessita de cuidados de suporte, controle da dor, hidratação e acompanhamento. Casos graves podem exigir internação e avaliação especializada”, explicou.
Sinais de alerta
Facilmente confundida com outras doenças, principalmente dermatológicas por conta das lesões, a mpox tem características específicas que podem auxiliar na sua identificação, informou o infectologista Daniel Paffili Prestes. “A manifestação mais característica envolve lesões que podem começar como pequenas manchas ou elevações na pele, evoluir para bolhas ou pústulas e, posteriormente, formar crostas. Algumas apresentam aspecto mais profundo, firme e com uma pequena depressão central. Na mpox, as lesões podem ser dolorosas, inclusive na região genital, anal e na boca. Mas essa distinção não é absoluta, e somente a aparência não permite confirmar o diagnóstico”, ressaltou. Além disso, febre, calafrios, dor de cabeça e inchaço nos linfonodos, popularmente conhecidos como ínguas, principalmente no pescoço, axilas ou virilhas, são sinais de alerta. A doença pode levar à morte, mas segundo especialistas, depende da cepa do vírus que está em circulação e do estado de saúde da pessoa infectada.
Médica patologista da clínica Grupo DB, Maria Gabriela de Lucca Oliveira alertou que o período de transmissão da doença ocorre desde os primeiros sintomas. “A transmissão dura enquanto houver presença do vírus nas lesões. Todo esse ciclo costuma durar de duas a quatro semanas. O critério de alta e fim de isolamento é o desaparecimento completo dos sintomas clínicos e cicatrização total da pele”, ressaltou.
Segundo a diretora de Vigilância Epidemiológica da SES-DF, Juliane Maria Malta, a identificação precoce dos sinais da doença é importante para evitar novas transmissões. “Diante do aparecimento súbito de lesões nas mucosas ou erupções cutâneas agudas, como bolhas e pústulas, em qualquer parte do corpo, procure uma unidade de saúde para avaliação”, orientou.
Tratamento
Embora não exista medicamento específico para tratar a mpox, há vacina destinada a grupos com maior risco de evolução grave. A imunização pode ser feita antes da exposição, para profissionais de saúde e pessoas imunossuprimidas que atendam aos critérios definidos pelo Ministério da Saúde, ou após o contato direto com um caso suspeito ou confirmado. O atendimento dos pacientes contaminados com o vírus é voltado para o alívio dos sintomas e a prevenção de complicações.
A gerente da Rede de Frio da Secretaria de Saúde, Teresa Luiz Pereira, explicou que o governo local aguarda o reabastecimento. “Atualmente, o Distrito Federal está sem estoque da vacina. Contudo, estamos em tratativas com o Ministério da Saúde para que ele nos forneça mais algumas doses. Aguardamos esse reabastecimento para que a vacina seja distribuída ao Hospital Universitário, que é a única sala no Distrito Federal que faz a aplicação”, afirmou.
A gerente explicou que a aplicação depende de uma avaliação técnica de cada paciente. “Lembrando que, atualmente, a sala não está abastecida, não adianta ir até lá. Até porque a vacinação só vai ocorrer após uma avaliação de toda a área técnica para verificar se a pessoa realmente tem condições e necessidade de tomar a vacina”, ressaltou.
O Correio procurou o Ministério da Saúde para saber se há previsão de novas remessas da vacina para o Distrito Federal, mas não teve retorno até o fechamento desta edição.
CASOS NO DF
2022: 308 casos
2023: 23 casos
2024: 56 casos
2025: 25 casos
2026: 23 casos (até a 1ª semana de novembro)
Fonte: Ministério da Saúde.
Com informações do Portal do Jornal Correio Brasiliense
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