quinta-feira - 26 - fevereiro - 2026

Destaque / Saúde / Diabetes: Gel de oxigênio pode proteger diabéticos de amputações; entenda

Publicado por: Marcelo José de Sá Diretor-Presidente e Editor-Geral do Site do Jornal Espaço

 

Sistema auto-oxigenante pode acelerar cicatrização e reduzir risco de amputação em diabéticos

Novo curativo atua contra hipóxia tecidual. (Foto: Getty Images via Canva)Fala Ciência

 

Feridas que não cicatrizam são uma das complicações mais devastadoras do diabetes. Quando persistem por semanas, elas podem evoluir para infecções graves, destruição de tecidos e, em muitos casos, amputações. Agora, uma inovação em bioengenharia pode mudar esse cenário.

Pesquisadores da Universidade da Califórnia desenvolveram um gel auto-oxigenante capaz de fornecer oxigênio de forma contínua diretamente no leito da ferida. O estudo foi publicado na revista científica Communications Materials, sob o título Um sistema auto-oxigenante inteligente para fornecimento localizado e sustentado de oxigênio em construções de tecidos de bioengenharia, liderado por Vaishali Krishnadoss em 2026 (DOI: 10.1038/s43246-025-00947-4).

O papel crítico do oxigênio na cicatrização

A cicatrização adequada depende de quatro fases principais: inflamação, formação de novos vasos sanguíneos, remodelação e regeneração. No entanto, nas feridas crônicas, especialmente em pacientes diabéticos, ocorre um problema central chamado hipóxia, que é a falta de oxigênio nos tecidos profundos.

Sem oxigênio suficiente:

• A inflamação se prolonga
• A proliferação celular fica comprometida
• A formação de vasos sanguíneos é prejudicada
• O risco de infecção aumenta

Estima-se que milhões de pessoas convivam com feridas crônicas todos os anos, e uma parcela significativa evolui para amputação. Portanto, atacar a hipóxia diretamente é uma estratégia promissora.

Como funciona o gel liberador de oxigênio

O novo material é composto por água e um líquido à base de colina, substância biocompatível com propriedades antibacterianas. Quando conectado a uma pequena fonte de energia, o sistema promove uma reação eletroquímica que divide moléculas de água e libera oxigênio de maneira controlada e contínua.

Diferentemente de terapias que oferecem oxigênio apenas na superfície, o gel:

• Se molda ao formato exato da ferida
• Preenche áreas irregulares
• Atua nas camadas mais profundas
• Mantém liberação de oxigênio por até um mês

Essa liberação sustentada é essencial, já que curtos períodos de oxigenação não são suficientes para reverter o quadro inflamatório crônico.

Resultados promissores em modelos diabéticos

Em testes com camundongos diabéticos e idosos, as feridas não tratadas apresentaram baixa cicatrização e alta mortalidade. Já nos animais que receberam o gel, com trocas semanais, a recuperação ocorreu em cerca de 23 dias.

Além da oxigenação, a presença de colina contribuiu para modular a resposta inflamatória. Feridas crônicas costumam apresentar níveis elevados de espécies reativas de oxigênio, moléculas que danificam células e prolongam a inflamação. O sistema parece equilibrar esse ambiente, favorecendo condições mais adequadas para a regeneração.

Impacto além do tratamento de feridas

As aplicações potenciais vão além do cuidado com úlceras diabéticas. A limitação de oxigênio também é um obstáculo importante na engenharia de tecidos e no desenvolvimento de órgãos artificiais. Portanto, a tecnologia pode representar avanço relevante na medicina regenerativa.

Um avanço diante de um desafio crescente

O aumento da expectativa de vida e da incidência de diabetes torna as feridas crônicas um problema de saúde pública cada vez mais relevante. Embora mudanças no estilo de vida sejam fundamentais, inovações como o gel de oxigênio oferecem uma alternativa concreta para reduzir amputações e melhorar a qualidade de vida.

Se os resultados forem confirmados em estudos clínicos futuros, essa tecnologia poderá redefinir o tratamento de feridas crônicas, atuando diretamente na raiz do problema: a falta de oxigênio nos tecidos.

 

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