Publicado por: Marcelo José de Sá Diretor-Presidente e Editor-Geral do Site do Jornal Espaço
Anomalia projetada supera qualquer registro desde 1950 e deve ampliar risco de seca no Norte e Nordeste do Brasil, com chuva acima da média no Sul
Foto: Reprodução
O Met Office, serviço nacional de meteorologia do Reino Unido, afirmou na sexta-feira (21) que o El Niño em formação deve ser o mais forte já observado e, provavelmente, o mais impactante desde o século XIX. As projeções mais recentes apontam alta superior a três graus Celsius nas temperaturas da superfície do mar no Pacífico equatorial ainda neste ano, patamar inédito nos registros que remontam a 1950.
Um El Niño típico provoca elevação de 1°C a 2°C, e o intervalo superior já é considerado um evento de grande magnitude. Alguns grupos climáticos projetam anomalia ainda maior que a do Met Office, de até 4°C acima da média, segundo a BBC.
“Isso significa que, se a previsão se confirmar, e outros sistemas de previsão apontam para valores extremos semelhantes, então 2026 vai exceder largamente nossa experiência recente do El Niño e de suas influências climáticas em nível mundial”, disse Adam Scaife, responsável pelas previsões de longo prazo do Met Office.
Com essa intensidade, o órgão avalia que é muito provável que 2027 substitua 2024 como o ano mais quente já registrado.
“Devemos deixar claro que este é um evento sem precedentes”, disse o professor Adam Scaife, chefe de previsão de longo prazo do Met Office. “Nunca vi sinal de um El Niño tão intenso em nossas previsões.”
O El Niño resulta do aquecimento recorrente da superfície do mar no Pacífico oriental, provocado pelo enfraquecimento dos ventos alísios. Ocorre a cada dois a sete anos e costuma durar de nove a 12 meses. Cientistas declaram o evento quando a temperatura da superfície na região-chave do Pacífico supera a média em pelo menos 0,5°C.
Um fator adicional pesa nas projeções atuais. Temperaturas cerca de 8°C acima do normal a 100 metros de profundidade em alguns pontos funcionam como reserva de água quente que reforça o fenômeno.
Os impactos globais podem ameaçar colheitas em diferentes regiões. Em 2016, milhões de pessoas no Chifre da África foram afetadas por seca severa associada ao fenômeno.
Sinais do evento atual já aparecem em algumas regiões, com monções abaixo do normal no Sul da Ásia e alterações nos padrões de vento no Caribe e no Atlântico tropical que podem reduzir a atividade de furacões. As projeções indicam ainda maior risco de seca e incêndios na Austrália e de inundações no Peru, no Equador e no sul dos Estados Unidos.
No Brasil, o El Niño tende a elevar as chuvas no Sul e a reduzir a precipitação no Norte e no Nordeste. As previsões para agosto indicavam temperaturas acima da média histórica em grande parte do país, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia.
Reuters e BBC
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