Publicado por: Marcelo José de Sá Diretor-Presidente e Editor-Geral do Site do Jornal Espaço
Apenas 13 dentre os 100 municípios mais populosos do país cumprem as metas de até 25% de perdas na distribuição

Início do curso do Rio das Balsas é encontrado seco, em Limpeza, nos Gerais de Balsas. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil – 10.10.2025
Nesta segunda-feira (24), é celebrado o Dia do Rio, mas há pouco a se comemorar. Mais de 6 mil piscinas ou 21 milhões de caixas d’água (o equivalente a cerca de 5,8 bilhões de metros cúbicos): essa é a quantidade de água desperdiçada pelo Brasil a cada dia, segundo o estudo Perdas de Água 2025: Desafios na Eficiência do Saneamento Básico no Brasil.
Realizada pelo ITB (Instituto Trata Brasil), a pesquisa analisa o volume de água não faturado em 2023, que se perde antes mesmo de chegar às torneiras. Somente naquele ano, a quantia de água não utilizada seria capaz de abastecer toda a população da Espanha.
O mesmo volume abasteceria, por dois anos, a população brasileira que vive em comunidades vulneráveis — 17,2 milhões de pessoas.
A presidente executiva do ITB, Luana Pretto, ressalta que tal montante indica uma má gestão em sistemas de distribuição.
“Variações de pressão no fornecimento de água que causam rompimentos, tubulações antigas, não detecção desses vazamentos e falta de agilidade no conserto destes, falta de simulação hidráulica… a perda está muito associada à ineficiência na gestão de distribuição de água”, analisa.
Entenda o problema
A água a ser utilizada chega à estação de tratamento, mas é perdida antes mesmo de alcançar as casas dos brasileiros. É no momento de bombeamento dessa água para as diferentes regiões da cidade que os vazamentos acabam ocorrendo.
“60% de perda desses 40,3% [de água desperdiçada por ano] são perdas físicas, que ocorrem de forma visível e podemos enxergar na superfície do pavimento”, explica Pretto. “Existem também os vazamentos ocultos, que acontecem embaixo da superfície do pavimento. Os outros 40% vêm de gatos, roubos, fraudes e erros de medição”, detalha.
As regiões Norte e Nordeste são as que apresentam o maior índice de perda de água na distribuição, atingindo respectivamente 49,78% e 46,25% de vazamento. Alagoas (69,86%), Roraima (62,51%) e Acre (62,25%) lideram o ranking de desperdício.
Hoje, já estão disponíveis métodos para detecção de vazamentos ocultos, como sensores de vazão e de pressão, que permitem uma rápida identificação do problema. A questão, no entanto, envolve o tempo — ou a falta dele — que o planeta tem para diminuir a degradação ambiental, uma vez que essas perdas colaboram para que o volume médio dos rios diminua.
Somadas a isso, questões como o aumento populacional e o consequente acréscimo do consumo de água preocupam especialistas. Por isso, Pretto defende planos de redução de perdas para cada município. “É necessário que as cidades sejam subdivididas em distritos de medição e controle para se ter um diagnóstico mais efetivo, de em qual região da cidade essas perdas ocorrem com mais frequência”, salienta.
Apesar do dado alarmante, o Brasil tem se mantido constante nos índices de perda de água. Em 2023, a média se encontrava apenas 1,07% mais elevada do que o valor de 2019, que atingiu a marca de 39,24%.
Com informações do R7
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