Publicado por: Marcelo José de Sá Diretor-Presidente e Editor-Geral do Site do Jornal Espaço
Dimensionamento para organizações adaptativas
*Andrea Prestes
Construir organizações capazes de se adaptar é tema recorrente na gestão. Mudam tecnologias, comportamentos, expectativas dos profissionais e modelos de trabalho.
Na saúde, essa adaptação é colocada à prova todos os dias. O perfil dos pacientes muda, a ocupação varia, tecnologias alteram processos e serviços são incorporados ou deixam de existir. Mesmo assim, em muitas instituições, a forma de organizar as equipes permanece praticamente a mesma.
Como construir uma organização verdadeiramente adaptativa se sua força de trabalho continua dimensionada a partir de uma realidade que já mudou?
Depois de anos na gestão hospitalar, aprendi na prática que dimensionar equipes nunca pode significar apenas contar profissionais. É preciso compreender o contexto do trabalho: onde estão, qual demanda atendem, quais atividades realizam, como os processos estão organizados, onde existem sobrecargas, ociosidades ou retrabalhos.
Por isso, dimensionamento de equipes não deveria ser tratado apenas como uma discussão de custos ou de recursos humanos. É uma discussão da alta gestão.
Ao longo da minha trajetória, vi muitas vezes quadros de profissionais serem mantidos porque “sempre foi assim”, mesmo quando a operação já havia mudado. O resultado pode ser excesso em alguns pontos e insuficiência justamente onde a demanda cresceu, contratar quando deveria reorganizar processos ou reduzir sem compreender a demanda. São decisões interferem na cultura, porque sobrecarga e desequilíbrios afetam engajamento e confiança.
Minha experiência também me ensinou que os dados mostram uma parte importante da realidade, mas não toda ela. É preciso ouvir quem conhece profundamente o trabalho: as pessoas que o executam.
É nesse ponto que a diversidade ganha uma dimensão prática. Diferentes experiências, gerações e formações ampliam a capacidade de encontrar melhores respostas. Em um hospital, áreas assistenciais, administrativas e de apoio observam a mesma operação por ângulos distintos. Uma gestão adaptativa precisa integrar essas visões.
A eficiência nasce dessa combinação entre dados, processos e pessoas.
Dimensionar equipes vai muito além de aplicar fórmulas ou comparar números. É necessário compreender demanda, carga de trabalho, produtividade, jornada, ocupação, perfil assistencial e processos. E dimensionar melhor não significa simplesmente reduzir equipes.
A pergunta deixa de ser apenas “quantas pessoas temos?” e passa a ser: “Temos a estrutura de pessoas adequada à realidade que precisamos atender hoje?”
Organizações adaptativas precisam de culturas abertas à mudança, lideranças capazes de decidir, diversidade de perspectivas e estruturas de trabalho que acompanhem essa transformação.
Adaptar-se não significa mudar o tempo todo. Significa perceber quando a realidade mudou e ajustar a organização antes que os resultados mostrem que o modelo anterior já não funciona.
Andréa Prestes é especialista em Eficiência Hospitalar, diretora-executiva da API- Associados Prestes Institute. É professora de pós-graduação e MBA. Autora de livros, consultora e palestrante. Master Black Belt em Lean Six Sigma. Mestre em Gestão da Saúde e Doutoranda em Eficiência pela Universidade Nova de Lisboa (PT).
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