Publicado por: Marcelo José de Sá Diretor-Presidente e Editor-Geral do Site do Jornal Espaço
Jovem de 24 anos foi encontrada amordaçada e ferida em cativeiro; ex-marido foi preso em flagrante por sequestro, estupro e tortura

Uma operação da Companhia de Policiamento Especializado, da Polícia Militar de Goiás, resgatou nesta sexta-feira (21/8) Emiliane Tamara Nunes Carvalho, de 24 anos, mantida em cárcere privado dentro de uma casa no Setor Jardim América III, em Águas Lindas de Goiás. A jovem estava desaparecida desde segunda-feira (17/8), quando foi abordada pelo ex-companheiro após sair de uma consulta médica. Ela foi encontrada amordaçada, com pernas, braços e pescoço presos por algemas, cordas e correntes.
O suspeito, Ailton Rodrigues de Souza, foi preso em flagrante por sequestro, cárcere privado, estupro e porte ilegal de arma de fogo. Para localizar o cativeiro, a equipe policial desconfiou do homem durante um patrulhamento nesta sexta-feira (21/8).
Ailton fugiu da abordagem em alta velocidade, mas foi contido no Setor Jardim Querência. A partir da prisão, os militares identificaram a residência alugada por ele recentemente e ouviram barulhos vindo do interior do imóvel fechado.
No local, os policiais precisaram acionar o Corpo de Bombeiros para cortar as correntes que prendiam a vítima à cama. Desorientada e com dificuldades para respirar devido a uma máscara colocada no rosto para abafar seus gritos, a jovem relatou ter sido mantida sob efeito de sedativos durante todo o período. Encaminhada ao Hospital Municipal de Águas Lindas de Goiás, ela recebeu atendimento e teve o quadro de saúde estabilizado.
No cativeiro, a polícia apreendeu uma pistola 9 mm, materiais usados na tortura e uma carta escrita pela vítima sob coerção, pedindo à família que não acionasse as autoridades. De acordo com a Polícia Civil, o investigado confessou ter dopado a ex-companheira com antidepressivos e possui histórico de violência doméstica contra ela. O relacionamento havia terminado em dezembro de 2025.
“Eu estou toda queimada por dentro, porque ele enfiava panos com ácidos dentro de mim. As buscas não acabam aqui. Agora é o início para que a gente possa buscar justiça, para que ele não possa machucar mais nenhuma mulher”, desabafou Emiliane nas redes sociais após receber alta.
Legislação prevê penas mais severas para violência doméstica
A privação de liberdade é tipificada no artigo 148 do Código Penal. No entanto, quando cometida contra cônjuge ou ex-companheira, a conduta passa a ser enquadrada no âmbito da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), o que agrava substancialmente as penalidades aplicáveis e garante a concessão de medidas protetivas de urgência.
O caso segue sob apuração da Polícia Civil de Goiás, que deve concluir o inquérito e encaminhá-lo ao Ministério Público Estadual (MPGO). O investigado permanece detido à disposição do Poder Judiciário.
Denúncias sobre ameaças, perseguições e sinais prévios de violência doméstica devem ser registradas preventivamente junto às autoridades policiais para evitar a escalada de agressões.
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