Publicado por: Marcelo José de Sá Diretor-Presidente e Editor-Geral do Site do Jornal Espaço
Gesto de Pyongyang é uma resposta aos exercícios militares conjuntos entre Seul e Washington; China culpa Estados Unidos por tensão na região

Líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un | Foto: Reprodução
A Coreia do Norte lançou mais de 10 mísseis balísticos de curto alcance em direção ao mar nesta quinta-feira (20). O governo de Pyongyang também ordenou que suas Forças Armadas mantivessem total prontidão durante os exercícios militares que a Coreia do Sul está realizando com os Estados Unidos.
O gabinete presidencial sul-coreano convocou uma reunião de emergência de segurança com integrantes do Ministério da Defesa e das Forças Armadas e divulgou um comunicado condenando os lançamentos feitos pela Coreia do Norte. “O lançamento do míssil balístico é um ato grave que viola as resoluções do Conselho de Segurança da ONU”, diz o texto, que pede o fim imediato de tais ações.
O ministro da Defesa sul-coreano, Ahn Gyu-back, também conversou com parlamentares. Ele acredita que os mísseis balísticos são lançadores múltiplos de foguetes de 600 milímetros, que podem ser posicionados perto da fronteira entre os dois países e são capazes de transportar ogivas nucleares. Ele também afirmou que Pyongyang possui entre 80 e 120 ogivas desse tipo.
O gesto da Coreia do Norte é visto como uma resposta as ações conjuntas entre Seul e Washington. Na quarta-feira, a irmã do ditador Kim Jong Un, Kim Yo-Jong condenou os exercícios militares. A atividade, que originalmente estava programada para durar dez dias, foi encurtada pela metade a mando do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e vai ser encerrada nesta sexta-feira.
Trump elogia Kim Jong-un
Na segunda-feira (17), o norte-americano também elogiou o líder norte-coreano. “Kim Jong Un sempre me tratou com grande respeito e nos encontramos em várias ocasiões — na verdade, duas ocasiões principais —, conversamos e passamos algum tempo juntos. Eu o entendo. Ele me entende”, disse.
Na quarta-feira (19), Kim Yo Jong reconheceu que seu irmão possui uma boa relação com Trump, mas afirmou que a “política hostil” dos Estados Unidos contra a Coreia do Norte não vai mudar. No mesmo dia, Trump voltou a elogiar Kim Jong Un. “Senti que, ao fazer um exercício tão grande, estávamos realizando um exercício de guerra de grande escala. Achei isso muito ofensivo para alguém que, francamente, pelo menos durante o meu mandato, se comportou muito bem”, disse.
O norte-americano também criticou a Coreia do Sul por negar ajuda aos Estados Unidos para reabrir o Estreito de Ormuz e afirmou que pretende se encontrar com o líder norte-coreano ainda este ano.
China critica os Estados Unidos
Também nesta quinta-feira (20), o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, se reuniu com o conselheiro de Segurança Nacional da Coreia do Sul, Wi Sung-lac, e o presidente sul-coreano, Lee Jae Myung. Segundo a agência de notícias estatal Xinhua, ele apelou pelo reinício do diálogo entre Seul e Pyongyang. “A China ficaria satisfeita em ver a península avançar rumo à coexistência pacífica entre a Coreia do Sul e a Coreia do Norte”, afirmou.
O ministro chinês também culpou Washington pelos atritos entre os governos norte-coreano e sul-coreano. “A solução fundamental para as tensões na Península Coreana reside em abordar as causas profundas do problema e instar os Estados Unidos a abandonarem sua política hostil em relação à Coreia do Norte”, declarou.
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