Publicado por: Marcelo José de Sá Diretor-Presidente e Editor-Geral do Site do Jornal Espaço
Procuradoria considera ilegal paralisação dos servidores administrativos e alerta para o risco de impacto nos atendimentos a 120 mil alunos da rede municipal

A Prefeitura de Goiânia, por meio da Procuradoria-Geral do Município (PGM), prepara uma ação judicial para tentar barrar a greve dos servidores administrativos da Educação. A paralisação foi aprovada em assembleia do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiása (Sintego), nesta quinta-feira (13/8), e está prevista para começar na próxima segunda-feira (17/8). A PGM sustenta que o movimento tem caráter ilegal e que adotará medidas judiciais e administrativas para assegurar os serviços e evitar prejuízos a cerca de 120 mil alunos e suas famílias.
A Secretaria Municipal de Educação (SME) ressaltou que esses profissionais exercem funções vitais no cotidiano das escolas e Centros Municipais de Educação Infantil (Cmeis), atuando na organização, segurança, higiene e alimentação escolar. A preocupação principal recai sobre a Educação Infantil, que garante cuidado às crianças enquanto os pais trabalham, e na oferta da merenda, essencial para famílias em situação de vulnerabilidade.
Para tentar conter a paralisação, o município afirma ter apresentado uma proposta concreta de valorização da carreira com reestruturação progressiva da tabela de vencimentos entre 2026 e 2030, além de reajuste inicial no piso da categoria. Segundo a administração, o plano prevê investimento adicional crescente, começando em R$ 10,2 milhões em 2026 e alcançando R$ 62,6 milhões anuais até 2030, fora os impactos de progressões e revisões anuais.
“A prefeitura reconhece o direito de reivindicação dos servidores, mas pede que eventuais paralisações observem a responsabilidade legal diante das consequências para cerca de 120 mil crianças e estudantes e para suas famílias, que dependem do funcionamento regular das unidades de ensino”, destaca o comunicado do Paço Municipal.
A gestão argumenta ainda que a implantação fatiada da nova tabela é necessária para alinhar o ganho dos trabalhadores aos limites contratuais e fiscais impostos à administração pública.
Sindicato rejeita proposta e confirma paralisação
A decisão pelo início da greve ocorreu durante assembleia extraordinária convocada pelo Sintego. A maioria da categoria votou contra o pacote de reajuste parcelado até 2030 apresentado pela prefeitura, optando por retomar a paralisação suspensa no primeiro semestre.
O fatiamento do reajuste até 2030, ultrapassando o período da atual gestão municipal, foi o principal ponto alegado para rejeição da proposta da prefeitura. Além disso, os servidores administrativos apontam sobrecarga de trabalho devida à falta de pessoal, exigindo a convocação de concursados e novos processos seletivos, bem como pela preocupação com a possível privatização do Instituto Municipal de Assistência à Saúde dos Servidores de Goiânia (Imas).
A entidade lembra que a categoria havia entrado em greve em maio e aceitou suspender a mobilização após mediação do Tribunal de Justiça de Goiás, que criou uma comissão interinstitucional para formular o novo plano de carreira. Segundo o sindicato, os compromissos da negociação foram cumpridos pela categoria durante as reuniões realizadas entre maio e agosto.
“No entanto, a prefeitura não cumpriu no sentido de construir um novo plano e apresentou uma tabela de atualização parcelada até 2030”, alega a entidade classista.
A votação que definiu o movimento contou com a participação de 631 trabalhadores, registrando 361 votos contrários ao texto do Paço e 270 favoráveis.
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