Publicado por: Marcelo José de Sá Diretor-Presidente e Editor-Geral do Site do Jornal Espaço
Hospital estadual especializado em câncer infantojuvenil registrou 5,4 mil consultas médicas, 2,4 mil sessões de quimioterapia e os primeiros transplantes de medula óssea em Goiás
Foto: Cristiano Borges e Lucas Diener

O Complexo Oncológico de Referência do Estado de Goiás (Cora) completou um ano de funcionamento consolidado como referência no tratamento do câncer infanto-juvenil pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Desde a inauguração, em junho de 2025, a unidade recebeu 420 novos pacientes, realizou mais de 5,4 mil consultas médicas ambulatoriais, 2,4 mil sessões de quimioterapia e 1.420 procedimentos cirúrgicos, além de implantar o serviço de transplante de medula óssea pediátrico no estado.
Construído com investimento de R$ 255,8 milhões, o Cora é o primeiro hospital público estadual 100% SUS dedicado exclusivamente ao tratamento oncológico infanto-juvenil.
A unidade conta com 60 leitos, incluindo internação, observação, UTI pediátrica, centro cirúrgico, quimioterapia e transplante de medula óssea, além de equipamentos de alta tecnologia, como ressonância magnética com inteligência artificial, tomografia computadorizada e centro de reabilitação com recursos robóticos.
Durante a apresentação do balanço, nesta quarta-feira (10/6), o governador Daniel Vilela destacou a importância do hospital para as famílias goianas que antes precisavam buscar tratamento em outros estados.

“Só este primeiro ano já justifica todo o investimento realizado. Hoje temos em Goiás um hospital com estrutura moderna e tecnologia avançada para oferecer tratamento de qualidade às crianças e adolescentes que enfrentam o câncer”, afirmou.
Referência em oncologia pediátrica
A oncologia pediátrica concentra o maior volume de atendimentos da unidade, com 3.896 procedimentos realizados ao longo do primeiro ano. Outro avanço foi a implantação do serviço de transplante de medula óssea pediátrico, que já contabiliza quatro transplantes autólogos de células-tronco. A expectativa é ampliar a oferta para transplantes alogênicos, realizados com doadores compatíveis.
O serviço multidisciplinar também se destaca. Foram 8.383 atendimentos envolvendo áreas como psicologia, fisioterapia, enfermagem, nutrição, terapia ocupacional, odontologia e fonoaudiologia, reforçando a proposta de assistência integral aos pacientes e familiares.
Responsável pela gestão do hospital, o presidente da Fundação Pio XII, Henrique Prata, ressaltou que a unidade contribuiu para eliminar a fila de tratamento oncológico infantil em Goiás.

“Hoje as famílias não precisam mais percorrer o país em busca de vagas para tratamento. O Cora passou a oferecer uma estrutura de excelência e se tornou referência para Goiás e outros estados”, destacou.
Atendimento que transforma vidas
Além dos números, o primeiro ano do Cora é marcado por relatos de famílias que encontraram atendimento especializado sem precisar deixar Goiás.
Moradora de Goiânia, Bianca Rodrigues acompanha o tratamento do filho Noah, de dois anos, e afirma que a abertura da unidade mudou a rotina da família.
“Quando soubemos que o hospital estava funcionando, foi um alívio. Não precisamos ir para Brasília ou Barretos. Desde o início fomos muito bem atendidos e o tratamento aconteceu rapidamente”, relatou.
Histórias semelhantes vieram de outros estados. Natural de Araguatins, no Tocantins, Fabiana Santos Maiada conseguiu transferir o filho Mário Francisco para Goiânia após meses de tratamento em Rondônia.

“Poder ficar mais perto da família fez toda a diferença. O acolhimento e a estrutura do hospital ajudaram meu filho a recuperar a confiança durante o tratamento”, contou.
Aprovação dos usuários
A qualidade da assistência prestada também aparece nos índices de satisfação. O hospital alcançou 84,5% no Net Promoter Score (NPS), indicador que o posiciona na faixa de excelência. Segundo levantamento da Ouvidoria, 98,6% dos pacientes e familiares afirmaram que recomendariam a unidade.
A estrutura física recebeu aprovação máxima, com 100% de satisfação. A equipe multiprofissional obteve 98,6%, enquanto a equipe médica alcançou 95,9%.
Além dos pacientes oncológicos, o Cora prepara uma parceria com o Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer) para ampliar o uso da terapia robótica. A expectativa é que pacientes em reabilitação passem a utilizar os equipamentos da unidade, fortalecendo a integração da rede estadual de saúde.
Em seu primeiro ano, o hospital já atende pacientes de Goiás, Distrito Federal, Tocantins, Rondônia, Amazonas e Mato Grosso, consolidando-se como uma das principais referências em oncologia pediátrica da região Centro-Norte do país.
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