segunda-feira - 06 - abril - 2026

Mundo / EUA / Irã / Guerra: Proposta de paz chega a EUA e Irã, diz fonte

Publicado por: Marcelo José de Sá Diretor-Presidente e Editor-Geral do Site do Jornal Espaço

 

Plano prevê cessar-fogo imediato e acordo mais amplo em até 20 dias em meio a ameaças do presidente americano contra pontes, usinas e alvos estratégicos iranianos

Vídeo divulgado nas redes sociais em 4 de abril mostra uma densa fumaça subindo sobre uma planta na zona petroquímica de Mahshahr, no Irã, após um suposto ataque aéreo israelense. Foto: Reuters

 

Os Estados Unidos e o Irã receberam um esboço de plano para encerrar as hostilidades, mas Teerã rejeitou a reabertura imediata do Estreito de Ormuz após o presidente Donald Trump ameaçar intensificar os ataques caso não haja acordo até o fim de terça-feira (7).

A proposta prevê duas etapas: um cessar-fogo imediato seguido de um acordo mais amplo, que seria concluído entre 15 e 20 dias, segundo uma fonte com conhecimento das negociações.

De acordo com essa fonte, o chefe do Exército do Paquistão, Asim Munir, manteve contato ao longo da noite com o vice-presidente dos EUA, JD Vance, o enviado especial Steve Witkoff e o chanceler iraniano Abbas Araqchi.

Uma autoridade iraniana afirmou à Reuters que o país não pretende reabrir o estreito como parte de um cessar-fogo temporário e não aceitará prazos enquanto avalia a proposta. Segundo essa fonte, os Estados Unidos não demonstram disposição para um acordo permanente.

O site Axios informou no domingo que EUA, Irã e mediadores regionais discutem um possível cessar-fogo de 45 dias dentro de um acordo em duas fases que poderia levar ao fim definitivo do conflito.

Trump diz que acordo deve sair até terça-feira

Em uma publicação com tom agressivo na rede Truth Social, Trump ameaçou novos ataques à infraestrutura energética e de transporte do Irã caso não haja acordo e a reabertura do Estreito de Ormuz até terça-feira (7). Mais tarde, ele fixou o prazo em 20h no horário da costa leste dos EUA.

Novos bombardeios foram registrados na região nesta segunda-feira, mais de cinco semanas após o início da ofensiva de Estados Unidos e Israel contra o Irã. O conflito já deixou milhares de mortos e provocou impactos econômicos, incluindo a alta nos preços do petróleo.

Como resposta, o Irã fechou na prática o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo e gás natural comercializados no mundo, além de atacar Israel, bases militares americanas e instalações energéticas no Golfo.

O assessor do presidente dos Emirados Árabes Unidos, Anwar Gargash, afirmou que qualquer acordo precisa garantir a livre navegação pelo estreito. Ele também alertou que, sem limites ao programa nuclear iraniano e ao uso de mísseis e drones, a região pode se tornar ainda mais instável.

Ataques iranianos no fim de semana contra instalações petroquímicas e um navio ligado a Israel no Kuwait, Bahrein e Emirados Árabes Unidos demonstraram a capacidade de reação do país, apesar das declarações de Trump de que essas capacidades teriam sido neutralizadas.

A mídia estatal iraniana informou a morte de Majid Khademi, chefe da inteligência da Guarda Revolucionária. Ataques de EUA e Israel também mataram integrantes de alto escalão do regime, incluindo o líder supremo aiatolá Ali Khamenei, substituído por seu filho, Mojtaba.

Em Israel, equipes de resgate retiraram dois corpos dos escombros de um prédio residencial atingido por um míssil iraniano em Haifa, segundo a imprensa local.

Desde o início da guerra, cerca de 3.540 pessoas morreram no Irã, entre elas pelo menos 244 crianças, de acordo com o grupo de direitos humanos HRANA.

Israel também avançou sobre o sul do Líbano e realizou ataques em Beirute contra o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã. O confronto representa a escalada mais violenta do conflito na região.

No Líbano, as autoridades informam 1.461 mortos, incluindo ao menos 124 crianças.

 

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