
Na votação da ONU, o placar foi de 141 países a favor, 5 contra e 35 abstenções; China se absteve // Foto: Reprodução
Em sessão extraordinária, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou na quarta-feira (2/3) uma resolução que condena a Rússia pela invasão à Ucrânia. Foram 141 votos a favor, incluindo o do Brasil, cinco contrários e 35 abstenções.
A resolução, que não tem poder legal, pede que a Rússia retire suas tropas. Apesar de não ser uma medida concreta, a decisão tem um poder político muito grande e evidencia o isolamento russo. A China se absteve.
Antônio Guterres, secretário-geral da ONU, disse, pouco após a aprovação da resolução, que a decisão repete uma verdade central, “que o mundo quer o fim do sofrimento na Ucrânia”. Ele falou, ainda, sobre como os países têm se unido para colaborar com a Ucrânia.
Publicidade
Continuação da Matéria
“A resolução de hoje é um tratado de paz. O mundo quer que termine o sofrimento humano na Ucrânia. Esse tratado se aplica à Ucrânia e seus países vizinhos. Continuarei fazendo tudo ao meu alcance para que acabem com a hostilidade”, disse António Guterres.
A reunião foi convocada por 95 dos 193 países que compõem o colegiado do Conselho de Segurança da organização e realizada de forma emergencial devido à guerra. Para aprovação da medida eram necessários dois terços dos votos.
Além de condenar a invasão da Ucrânia, o documento ressalta que a aquisição de territórios por uso da força não deve ser reconhecida como legal. Ou seja, o objetivo da resolução é expressar que diversos países são contrárias as ações dos russos.
O Brasil votou a favor da proposta. Durante a reunião, o embaixador brasileiro na ONU, Ronaldo Costa Filho, pediu “engajamento” de “todos os atores” para um acordo diplomático.
“A paz exige a retirada de tropas e um trabalho amplo das partes. A resolução não pode ser entendida como algo que permita a aplicação indiscriminada de sanções”, disse.
União Europeia e EUA celebram derrota da Rússia na ONU
A União Europeia celebrou a “derrota moral e diplomática” da Rússia na ONU, enquanto os Estados Unidos e secretário-geral da organização sublinharam que hoje o mundo se exprimiu em “alto e bom som” sobre a invasão russa da Ucrânia. A embaixadora dos Estados Unidos, Linda Thomas-Greenfield (foto), depois da votação, falou que “o mundo falou com uma voz clara e unida”.
“Demonstramos que a Rússia está isolada e sozinha e que os custos continuarão a aumentar até que a Rússia ceda. Afirmamos a Carta das Nações Unidas, comprometemo-nos a abordar a terrível crise dos direitos humanos e humanitários na Ucrânia, e estivemos juntos na batalha pela alma do mundo”, afirmou a embaixadora, citada pela agência RTP.
Continuação da Matéria
O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, destacou “uma grande derrota moral e diplomática para a Rússia”.
“Os apelos para que o Kremlin retire imediatamente todas as forças da Ucrânia não podem soar mais alto do que isto. O direito internacional deve e vai prevalecer”, escreveu no Twitter.
Civis atacados na Ucrânia
Também na quarta-feira, a embaixadora dos Estados Unidos na ONU afirmou que a guerra foi decisão de um único homem, Putin. E disse que a Rússia está atacando civis e que, enquanto o Conselho de Segurança discutia a paz [na semana passada], Putin começava a guerra.
“A Rússia bombardeou orfanatos, hospitais, jardins de infância, espalhou fome”, disse Linda Thomas-Greenfied, que agradeceu aos países que estão recebendo refugiados da Ucrânia.
O embaixador da Ucrânia na ONU, Sergei Kislitsia, afirmou que o povo ucraniano “luta enquanto é bombardeado”. Ele agradeceu a união e o apoio aos refugiados ucranianos e disse que as tropas russas estão cometendo crimes contra a humanidade, “crimes tão bárbaros que é difícil compreender”.
“Ucranianos estão sendo mortos por mísseis e outros tipos de armas. Nós não provocamos essa escalada de tensão. Crimes internacionais continuam sendo cometidos na Ucrânia. Isso é um erro. A maldade nunca vai parar, vai avançar e avançar. Precisamos evitar que os russos vão adiante”, apelou.
Os países que votaram contra a resolução da ONU foram a Rússia, Bielorrússia, Síria, Coreia do Norte e Eritreia. (Com informações da Agência Brasil)

