sexta-feira - 13 - março - 2026

Mundo / Rússia-Ucrânia / Guerra: Quais seriam as consequências de uma invasão da Rússia na Ucrânia?

Conflito teria impacto no fornecimento de gás natural à Europa e envolveria direta ou indiretamente potências militares

Internacional  Letícia Sepúlveda, do R7

Membros do Exército russo dirigem veículo blindado na região sul de Rostov

SERGEY PIVOVAROV/REUTERS – 26.01.2022

Diante da crescente tensão na fronteira da Rússia com a Ucrânia, um conflito que envolveria direta e indiretamente diversos países gera incertezas no mundo. No cenário atual, o que aconteceria se os soldados russos recebessem a ordem de avançar em direção ao território ucraniano?

As consequências imediatas do ponto de vista dos países europeus seriam o colapso do fornecimento de gás natural e o aumento do preço do petróleo, segundo o geógrafo João Correia de Andrade.

Essa situação divide a Europa e dificulta uma ação conjunta da União Europeia e até da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte). A Alemanha, que depende do gás vendido pela Rússia, já se antecipou em declarar que não mandaria tropas e armamentos para o lado ucraniano, como fizeram outros membros da Otan.

O professor Carlos Gustavo Poggio, do curso de relações internacionais da Faap, ressalta que a Rússia utiliza há muito tempo o que é conhecido como a “geopolítica do gás“.

“O país faz disso uma ferramenta política, e não apenas uma questão econômica. Se o gás natural for cortado para a Europa, isso trará grande impacto porque a região passa pelo inverno e precisa do gás russo para aquecer suas casas.”

Mapa com o destacamento de tropas russas nas fronteiras com a Ucrânia e bases e instalações militares

PAZ PIZARRO, PATRICIO ARANA E GIULIO FURTADO/AFP – 31.01.2022

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Posição dos Estados Unidos

No caso dos EUA, mais do que a tomada de atitude diante de uma ordem de invasão da Ucrânia, existe um resquício da Guerra Fria que faz com que os americanos busquem mostrar força e poder ao mundo e, principalmente, à Rússia e seus aliados.

Na última terça-feira (1º), Putin se pronunciou sobre a crise na fronteira, depois de cinco semanas de silêncio, e acusou o governo Biden de tentar forçar um conflito na Ucrânia para criar um motivo para adotar sanções contra a Rússia.

O governo russo também pediu que os americanos parem de “alimentar” a tensão no Leste Europeu com o envio de tropas. O pedido veio após os EUA direcionarem mais 3.000 soldados para a Romênia e para a Polônia.

“A grande questão é que, se os Estados Unidos não derem uma resposta à altura, isso indicará para o resto do mundo que nós estamos entrando em uma nova era nas relações internacionais em que Estados mais poderosos, como a Rússia, podem se sentir mais à vontade para conseguir conquistar Estados menos poderosos”, diz o professor Poggio, que explica que estamos em um momento em que as regras do ordenamento internacional se redefinem.

Membro das Forças Armadas da Ucrânia durante exercício militar na região de Kherson

REUTERS – 01.02.2022

Gunther Rudzit, professor do curso de relações internacionais da ESPM, vai mais longe ao falar das consequências de um conflito envolvendo a Rússia, os EUA e a Europa. “As pessoas esquecem que as armas termonucleares, as bombas de hidrogênio e atômicas ainda existem nesses países. A quantidade dessas armas estratégicas que a Rússia e os EUA têm pode destruir a Terra 16 vezes.”

Apesar do risco de um conflito entre grandes potências militares, o professor João Correia não exclui a possibilidade de a Rússia anexar partes do país vizinho e expandir sua influência na região. “Pouco a pouco os russos vão fazer incursões cirúrgicas na fronteira com a Ucrânia e buscar anexar as áreas que são simpáticas ao seu governo, como o leste ucraniano.”

A estratégia usada seria o financiamento de grupos favoráveis ao governo russo, algo que já acontece e antecede as atuais tensões na região.

“O país vai continuar alimentando grupos paramilitares que tentam criar uma instabilidade na Ucrânia. Quanto mais instável a Ucrânia estiver, melhor para a Rússia, porque poderá se aproximar da fronteira e afastar a Otan.”

Entenda o gasoduto da discórdia que liga a Rússia à Alemanha

Nord Stream 2, o gasoduto que liga a Rússia à Alemanha, foi concluído em novembro

ODD ANDERSEN / AFP

O Nord Stream 2, o gasoduto que liga a Rússia à Alemanha, foi concluído em novembro e já causou grandes desavenças geopolíticas e econômicas, embora agora corra o risco de não ser inaugurado no caso de uma invasão russa da Ucrânia.

Durante vários anos, opôs os Estados Unidos contra a Alemanha, principal promotor do projeto, mas também os europeus uns contra os outros, além da Rússia e da Ucrânia.

Uma virada surpreendente de Washington permitiu que a Alemanha e os Estados Unidos chegassem a um entendimento para encerrar a disputa. Mas a ameaça russa sobre a Ucrânia mudou a situação novamente e Washington alertou na quinta-feira que a inauguração do gasoduto estava em jogo.

O Nord Stream 2 conectará a Rússia à Alemanha através de um gasoduto de 1.230 km sob o Mar Báltico, com capacidade de 55.000 milhões de metros cúbicos de gás por ano, seguindo a mesma rota de seu irmão gêmeo, Nord Stream 1, ativo desde 2012.

Contornando a Ucrânia, a rota aumentará as possibilidades de fornecimento de gás russo para a Europa, enquanto a produção na União Europeia diminui.

Operado pela gigante russa Gazprom, o projeto está estimado em mais de 10 bilhões de euros (US$ 11,8 bilhões) e foi cofinanciado por cinco grupos europeus (OMV, Engie, Wintershall Dea, Uniper e Shell).

A Ucrânia teme perder a renda que obtém com o trânsito de gás russo e ser mais vulnerável em comparação com Moscou.

Os Estados Unidos se opuseram desde o início a um projeto que enfraqueceria estratégica e economicamente a Ucrânia, que poderia aumentar a dependência da União Europeia (UE) do gás russo e que poderia dissuadir os europeus de comprar o gás de xisto que Washington quer vender.

Os europeus também estão divididos, e a Polônia e os países bálticos temem que o bloco acabe cedendo às ambições da Rússia.Na Alemanha, o Nord Stream também não tem aceitação unânime: o partido ambientalista se opôs por muito tempo, antes de adotar uma posição mais tolerante após sua entrada no governo.

O governo do ex-presidente Donald Trump decidiu impor medidas contra as empresas envolvidas nas obras do projeto, em 2019, o que fez com que várias empresas se retirassem.

As obras, iniciadas em abril de 2018, foram interrompidas em dezembro de 2019, quando faltavam 150 km de tubulação. Os trabalhos foram retomados um ano depois e agora o gasoduto está concluído.

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Mas o regulador de energia alemão decidiu em novembro suspender o processo de aprovação das instalações devido a um obstáculo legal.Em maio de 2021, a administração do democrata Joe Biden, que antes havia manifestado hostilidade ao gasoduto, anunciou que estava desistindo de sancionar a empresa Nord Stream 2 AG.

Em julho, os Estados Unidos anunciaram um acordo com o Executivo alemão para encerrar essa disputa.

Dessa forma, Biden parecia apostar na aliança com a Alemanha, da qual Washington espera obter apoio em outras frentes, como contra a China.

A crise ucraniana mudou mais uma vez a situação.

“Se a Rússia invadir a Ucrânia, de uma forma ou de outra, o Nord Stream 2 não seguirá em frente”, alertou Victoria Nuland, número três do Departamento de Estado dos EUA, na quinta-feira.

A chefe da diplomacia alemã, a ambientalista Annalena Baerbock, também destacou que haveria “fortes sanções”, incluindo o Nord Stream 2, no caso de um ataque russo.

Fonte: R7

Da redação do jornal Espaço

Numa visão mais aprofundada mediante desse conflito; é que além das mortes e a devastação que uma guerra traz para ambos lados, pois nesse caso tanto Rússia quanto Ucrânia estariam perdendo com a destruição não só dos dois países, mas também do gasoduto, porque é certo que será uma destruição em massa. O frio intenso na quela região é de extremos e sem o gás para aquecimento das casas, indústrias entre outros é impossível a sobrevivencia, e ainda o que essa guerra pode provocar nos aliados desses países, não seria intensões de uma terceira guerra mundial? Ao se juntar guerra mais pandemia satanás teria o momento certo para transformar a Terra num verdadeirto campo de terror jamis visto em todos os séculos.