segunda-feira - 04 - maio - 2026

Alerta / Corona Vírus / Goiás: Pesquisa prevê aumento de internações e mortes por Covid-19 em Goiás

Pesquisa prevê aumento de internações e mortes por Covid-19 em Goiás
Fiocruz prevê aumento da taxa de ocupação nos leitos de Goiás. Foto: Divulgação

Boletim epidemiológico da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) indica tendência de alta de casos de coronavírus em regionais de Goiás. Em Goiânia, a ocupação de leitos no HCamp subiu de 82% para 94%

Números do último boletim epidemiológico da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) revelam que nos próximos dias poderá haver um aumento no número de casos de coronavírus em Goiás. Isso porque o Estado está entre as 17 unidades da federação com, no mínimo, uma Macrorregião de Saúde de alta tendência de aumento de novos casos da doença, seguido pelo crescimento no número de mortes ocasionadas pelo vírus.

Segundo a Fiocruz, a Macrorregião de Goiás com alta tendência do aumento de casos de Covid-19 é a Centro-Sudoeste, que engloba as regiões da Estrada de Ferro, polo Catalão; Centro Sul, polo Aparecida de Goiânia; e Sul, polo Itumbiara. Dados da Secretaria de Estado de Saúde de Goiás (SES-GO) mostram que essas três regiões estão na classificação crítica, considerada como de gravidade intermediária, devido o crescimento da ocupação de leitos, mortes e a velocidade da propagação do vírus.

A Rede Análise Covid-19 divulgou um levantamento que identifica o aumento de pessoas que estão com sintomas do coronavírus, a partir de estatística da Universidade de Maryland em conjunto com o Facebook.

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Além disso, a Fiocruz coloca Goiás entre as unidades da federação com sinais de interrupção da tendência de queda de notificação da Covid-19. A fundação reitera que é preciso ter cautela na flexibilização de medidas de distanciamento social para redução da transmissão do coronavírus.

As notificações de casos de síndrome respiratória aguda grave (Srag) são um dos indicadores usados para monitorar a pandemia da Covid-19. O secretário de Estado de Saúde, Ismael Alexandrino, pontua que os casos de Srag pararam de cair na última semana e que a velocidade da propagação do coronavírus, o chamado “Re”, está crescendo. Sem falar na procura por atendimentos nas unidades de saúde que também tem aumentado. Na semana passada, a ocupação do Hospital de Campanha (HCamp) de Goiânia subiu de 82% para 94%, afirma o secretário.

Todavia, o secretário acredita que isso não vai ocasionar o aumento do número de mortes, embora provavelmente vai aumentar a taxa de ocupação dos leitos dos hospitais. Ele afirma que “não se trata de terceira onda, mas repique da segunda, pois a segunda onda não baixou ainda”, explica.

A Rede Análise também trabalha com uma pesquisa da Universidade de Maryland, realizada em parceria com o Facebook, em que são feitas perguntas sobre a pandemia pela internet. “Esses dados de sintomáticos acabam prevendo o que vai acontecer lá na frente. Essa reversão de queda de sintomáticos começou a aparecer muito claramente também em todos os Estados, inclusive Goiás. Isso significa que essas pessoas, lá na frente, vão virar casos notificados, depois, infelizmente, internações hospitalares e óbitos. Aquele caminho triste que a gente já conhece”.

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Em relação ao Estado de Goiás, o gráfico da pesquisa mostra a interrupção da queda de sintomas reportados e também uma tendência de aumento.

“A gente teve esse pico forte ali atrás (março), a gente conseguiu reverter com as medidas de restrição de mobilidade. Começou a cair, só que essa velocidade de queda começou a desacelerar, começou a cair cada vez mais devagar, até que começou a estabilizar e agora já está revertendo. Ou seja, já está querendo virar aumento de novo”, explica o cientista de dados e coordenador na Rede Análise Covid-19, Isaac Schrastzhaupt.

O cientista também revela que a cobertura vacinal no Brasil, que inclui Goiás, ainda é muito baixa e não é suficiente para evitar o aumento de casos. Para a vacinação ser efetivas, ela deve ser coletiva. Ele explica que sem a vacinação em massa, a solução para evitar mais mortes são as medidas restritivas, uma forma de evitar com que as pessoas tenham contato umas com as outras. Isso deve ser feito como prevenção antes do aumento descontrolado do número de casos. “Quanto antes fizer isso, menos mortes você gera”, ressalta Isaac.